<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>
<!-- generator="FeedCreator 1.7.2" -->
<rss version="2.0">
    <channel>
        <title>PECADO</title>
        <description><![CDATA[Personal Catalogued Dossie]]></description>
        <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/</link>
        <lastBuildDate>Mon, 23 Jan 2012 07:31:15 -0300</lastBuildDate>
        <generator>FeedCreator 1.7.2</generator>
        <image>
            <url>http://www.caetano.eng.br/images/fudeba.gif</url>
            <title>Fudeba logo</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/</link>
            <description><![CDATA[Feed provided by Daniel Caetano. Click to visit.]]></description>
        </image>
        <item>
            <title>Sherlock Holmes: A Game of Shadows</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1004</link>
            <description><![CDATA[<p>Na semana passada fui assistir ao novo filme de Sherlock Holmes: Um Jogo de Sombras. N&atilde;o diria que me decepcionei - o filme &eacute; divertido e faz bem o papel de entretenimento ao que se prop&otilde;e, mas diferentemente do primeiro, tenho algumas reservas com rela&ccedil;&atilde;o ao resultado.</p>
<p>Primeiramente, a forma de contar a hist&oacute;ria, me parece, deixa um pouco a desejar; aquele &quot;feeling&quot; do livro que existe no primeiro, em que os racioc&iacute;nios de Holmes s&atilde;o desvendados aos poucos, simplesmente n&atilde;o existe. Em alguns momentos as decis&otilde;es de Holmes parecem absolutamente arbitr&aacute;rias; adianto que n&atilde;o o s&atilde;o. Em todos os casos percebi elementos sutis no cen&aacute;rio ou em algum di&aacute;logo que embaram as decis&otilde;es dele... mas n&atilde;o &eacute; caracter&iacute;stica do personagem ou de suas hist&oacute;rias deixar de explicitar as coisas.
</p>
<p>Apenas para citar um exemplo: em um momento Holmes pensa que uma bomba estar&aacute; em um local. O que leva a essa conclus&atilde;o &eacute; um peda&ccedil;o de cen&aacute;rio que est&aacute; em um dep&oacute;sito e que aparece de relance. De acordo com o contexto da cena, faz sentido a conclus&atilde;o dele. Pouco depois, j&aacute; no local, ele descobre que se enganou, e que a bomba est&aacute; em outro lugar... e n&atilde;o h&aacute; explica&ccedil;&atilde;o clara tamb&eacute;m de como ele identificou o local correto, embora alguns di&aacute;logos anteriores forne&ccedil;am esses elementos.
</p>
<p>Isso, para mim, descaracterizou um pouco a forma de contar a hist&oacute;ria. As hist&oacute;rias de Holmes tem um elemento fundamental que &eacute; justamente de ele mostrar o qu&atilde;o triviais s&atilde;o as observa&ccedil;&otilde;es dele, como n&atilde;o h&aacute; outra alternativa, e que portanto qualquer um poderia ter feito o mesmo que ele.
</p>
<p>De qualquer forma, eu tenho a impress&atilde;o de que isso &eacute; resultado de uma montagem &quot;ruim&quot;... provavelmente para encurtar o tempo de filme (j&aacute; que haveria espa&ccedil;o para quel Holmes fornecesse as supracitadas explica&ccedil;&otilde;es, mas elas tomariam tempo e prejudicariam a cad&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o do filme). Seria divertido ver uma poss&iacute;vel futura vers&atilde;o do diretor (j&aacute; que o Guy Ritchie mostrou, no primeiro filme, que entende muito bem como contar uma hist&oacute;ria de Holmes).
</p>
<p>A segunda ressalva que tenho se refere ao argumento escolhido. Diferentemente do primeiro filme, que conta uma hist&oacute;ria que se insere com perfei&ccedil;&atilde;o entre outras hist&oacute;rias can&ocirc;nicas de Holmes, o segundo filme optou por contar uma hist&oacute;ria de impacto j&aacute; existente (Mem&oacute;rias de Sherlock Holmes: O Problema Final).</p>
<p>Primeiramente, acho que n&atilde;o &eacute; uma escolha interessante para um segundo filme, em especial por apresentar a morte de um dos melhores vil&otilde;es de Holmes - e que certamente poderia ser melhor explorada em um filme com hist&oacute;ria diversa daquelas dos livros. Mas, a despeito disso, &eacute; uma hist&oacute;ria relativamente curta, com muita conversa entre Holmes e Watson e pouca a&ccedil;&atilde;o. Isso poderia ser bom: como a hist&oacute;ria do livro come&ccedil;a depois de muita disputa entre Holmes e Moriarty, o filme poderia contar estes elementos e finalizar com a hist&oacute;ria do livro (encontro com Watson, flashback do encontro de Holmes e Moriarty, viagem de trem e luta com Moriarty em Raichenbach Falls)... mas o filme n&atilde;o se aproveitou disso.<p>
<p>Preferiram escrever uma hist&oacute;ria nova misturando diversas bolas... o que pode complicar um pouco futuros roteiros (que talvez tenham que sair mais da linha da hist&oacute;ria can&ocirc;nica): nos livros, o casamento de Watson ocorre muito tempo antes do confronto com Moriarty; al&eacute;m disso, Watson j&aacute; n&atilde;o participa das aventuras de Holmes h&aacute; um bom tempo... e &eacute; simplesmente convidado - e aceita - a participar da ca&ccedil;ada final ao Professor Moriarty.</p>
<p>Para complicar ainda mais a situa&ccedil;&atilde;o, o filme vai al&eacute;m do fim da hist&oacute;ria &quot;O Problema Final&quot; (que n&atilde;o vou contar para evitar spoiler), sendo que, pelo c&acirc;none, Mary morreria no per&iacute;odo (longo) entre o confronto com Moriarty e os eventos que aparecem no final do filme... Quando ent&atilde;o Watson voltaria a viver com Holmes.
</p>
<p>Kudos para os escritores/roteiristas do primeiro filme, reprimendas para os escritores/roteiristas do segundo, que zoaram com a linha do tempo dos personagens de forma absolutamente desnecess&aacute;ria!
</p>
<p>No geral, por&eacute;m, &eacute; um bom filme e render&aacute; boa divers&atilde;o aos f&atilde;s de Holmes.
</p>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Mon, 23 Jan 2012 15:26:02 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Por Quem os Sinos Dobram: Parte Final</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1003</link>
            <description><![CDATA[<div id='sincite'>
<p>
Aten&ccedil;&atilde;o! Este artigo n&atilde;o se inicia aqui! Caso voc&ecirc; tenha perdido, veja a <a 

href='http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1000' 

target='_blank'>primeira parte</a>!</p>
</div>

<p>
Nos artigos anteriores foram levantadas as raz&otilde;es pelas quais a eleva&ccedil;&atilde;o da 

taxa b&aacute;sica de juros &eacute; considerada ruim... assim como os interesses que 

fazem com que &quot;os especialistas&quot; do setor defendam tanto a eleva&ccedil;&atilde;o dos 

juros. 
</p>
<p>Neste artigo ser&aacute; apresentada a posi&ccedil;&atilde;o um tanto inc&ocirc;moda do governo bem 

como algumas das medidas que podem ser tomadas ao inv&eacute;s da eleva&ccedil;&atilde;o da taxa 

SELIC para controle da infla&ccedil;&atilde;o. Finalmente, ser&aacute; feita a conclus&atilde;o desta 

s&eacute;rie de artigos econ&ocirc;micos, ressaltando a import&acirc;ncia do tema tratado. 
</p> 

<h2>E Se o Governo Segue a Cartinha do &quot;Mercado&quot;?</h2>

<a href='http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2011/02/o-retorno-do-

neoliberalismo.html' target='_blank'><img src='files/selic14.png' class='fr' 

/></a>

<p>
Quando, a despeito de todos os aspectos apresentados nesta s&eacute;rie de artigos, 

o governo resolve seguir a cartilha &quot;ortodoxa&quot; do &quot;mercado&quot;, o resultado &eacute;, 

frequentemente, devastador. N&atilde;o se trata aqui de elocubra&ccedil;&otilde;es e hip&oacute;teses: 

trata-se de mera observa&ccedil;&atilde;o. Aqueles com mais de 30 anos certamente devem se 

lembrar das consecutivas crises pelas quais nosso pa&iacute;s passou, at&eacute; 2002, com 

pequenos per&iacute;odos de tranquilidade.
</p>
<p>
E o que ae via naqueles momentos? Empresas quebrando, aumento da taxa de 

desemprego, corros&atilde;o do poder de compra dos sal&aacute;rios (o famoso arroxo 

salarial)... e nada se resolve enquanto o governo n&atilde;o vai pedir dinheiro ao 

FMI, como j&aacute; comentado.
</p>
<p>
Neste momento, o FMI e os analistas sugerem que o &quot;estado seja enxugado&quot;... 

isto &eacute;: privatizar empresas, demitir funcion&aacute;rios, reduzir o atendimento ao 

p&uacute;blico... todas aquelas coisas que o &quot;mercado&quot; chama de &quot;aumentar a 

efici&ecirc;ncia&quot;, <strong>desligando completamente o conceito de efici&ecirc;ncia do 

conceito de qualidade</strong>.
</p>
<p>
Os g&ecirc;nios do mercado dizem, nesta situa&ccedil;&atilde;o, que com uma redu&ccedil;&atilde;o dos gastos 

do governo haver&aacute; desaquecimento da economia (sem pesar demais sobre o 

cidad&atilde;o), j&aacute; que o governo &eacute; um grande consumidor. Com isso, supostamente, 

os pre&ccedil;os cairiam, j&aacute; que a oferta se manteve, mas a demanda caiu. 
</p>
<p>
Entretanto, apesar disso, a raz&atilde;o que os motiva a pedir para que o governo 

fa&ccedil;a tudo isso, garantindo a t&atilde;o propalada &quot;austeridade fiscal&quot;, &eacute; 

<strong>fazer sobrar mais grana pra pagar juros</strong>!
</p>
<p>
Observem que lindo! Vamos ferrar ainda mais o pa&iacute;s para garantir que os 

respons&aacute;veis pelo desastre sejam bem pagos e remunerados!
</p>
<p>
Qualquer semelhan&ccedil;a com o que vem acontecendo nos EUA e Europa 

<strong>n&atilde;o</strong> &eacute; mera coincid&ecirc;ncia!
</p>

<h2>Quais S&atilde;o as Alternativas do Governo?</h2>

<a href='http://palestrasdemotivacao.blogspot.com/2011/06/precisamos-de-

esperanca.html' target='_blank'><img src='files/selic15.png' class='fr' 

/></a>

<p>
Pela forma com que foram conduzidos estes artigos pode parecer que o governo 

est&aacute; em um mato sem cachorro... isto &eacute;: pode ficar parecendo que o governo 

tem de aceitar a infla&ccedil;&atilde;o e pronto.
</p>
<p>
Mas n&atilde;o &eacute; bem por a&iacute;. Na verdade, o governo n&atilde;o precisa aceitar essa 

situa&ccedil;&atilde;o pacificamente.
</p> 
<p>
Antes de mais nada, entretanto, &eacute; importante ressaltar que alguma infla&ccedil;&atilde;o 

sempre ser&aacute; esperada em um pa&iacute;s em desenvolvimento: um pa&iacute;s que tem demanda 

crescente, isto &eacute;, que sua popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; melhorando de condi&ccedil;&atilde;o de vida, 

<strong>sempre</strong> ter&aacute; alguma infla&ccedil;&atilde;o<sup>14</sup>.
</p>
<p>
Essa observa&ccedil;&atilde;o se faz necess&aacute;ria porque o senso comum diz que, se infla&ccedil;&atilde;o 

&eacute; ruim... defla&ccedil;&atilde;o deve ser bom... mas isso n&atilde;o confere com a realidade. A 

defla&ccedil;&atilde;o &eacute;, normalmente, resultado de um pa&iacute;s em que a oferta &eacute; maior que a 

demanda... ou seja: as pessoas n&atilde;o est&atilde;o consumindo, e isso &eacute; a &quot;morte&quot; no 

sistema capitalista. Usualmente as pessoas deixam de consumir quando temem 

n&atilde;o conseguir honrar seus compromissos, uma sensa&ccedil;&atilde;o que identifica per&iacute;odos 

de crise. Em outras palavras, a defla&ccedil;&atilde;o &eacute;, usualmente, um reflexo de que as 

pessoas n&atilde;o est&atilde;o melhorando seu padr&atilde;o de vida... o que &eacute; a contra-m&atilde;o do 

que um governo deve buscar.
</p>
<p>
A infla&ccedil;&atilde;o, assim, n&atilde;o &eacute; exatamente um fen&ocirc;meno ruim. A infla&ccedil;&atilde;o 

descontrolada - ou a hiperinfla&ccedil;&atilde;o - &eacute; que &eacute; problem&aacute;tica. E, para evitar 

essa situa&ccedil;&atilde;o, o governo tem diversos instrumentos para lutar. N&atilde;o tenho 

conhecimento para citar todos, mas alguns podem ser evidenciados.
</p>
<p>
Um primeiro exemplo &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o do IPI (Imposto sobre Produto 

Industrializado) para estimular a produ&ccedil;&atilde;o e queda de pre&ccedil;os dos produtos, 

mesmo com aumento do consumo. Em paralelo a um aumento de IOF (Imposto sobre 

Opera&ccedil;&otilde;es Financeiras), que corr&oacute;i os ganhos de aplica&ccedil;&otilde;es financeiras, a 

redu&ccedil;&atilde;o de IPI pode incentivar alguns investidores que estavam &quot;sentados&quot; em 

t&iacute;tulos p&uacute;blicos a investir em produ&ccedil;&atilde;o, aliviando a press&atilde;o inflacion&aacute;ria 

(lembre-se: aumentar a produ&ccedil;&atilde;o reduz infla&ccedil;&atilde;o tanto quanto reduzir o 

consumo! O que importa &eacute; o equil&iacute;brio oferta-demanda!) 
</p>
<p>
Por outro lado, caso exista um risco de grande fuga de capital investido por 

estrangeiros (o que inundaria o mercado de reais, que se desvalorizaria 

muito rapidamente... ou seja: agravando a infla&ccedil;&atilde;o) o governo pode optar por 

<strong>reduzir</strong> o IOF - estimulando a entrada de capitais.
</p>
<p>
Um outro exemplo de medida que pode ser adotada pelo governo &eacute; o combate &agrave; 

parcela da infla&ccedil;&atilde;o &quot;importada&quot; (isto &eacute;: produtos cujo pre&ccedil;o sobe no mercado 

internacional, como &eacute; comum com o a&ccedil;&uacute;car e petr&oacute;leo) ajustando (para baixo) 

&quot;impostos&quot; de consumo (que s&atilde;o aqueles impostos e contribui&ccedil;&otilde;es cobrados 

sobre os produtos comercializados, como a CIDE - Contribui&ccedil;&atilde;o de Interven&ccedil;&atilde;o 

sobre Dom&iacute;nio Econ&ocirc;mico - dos combust&iacute;veis).
</p>
<p>
Se houver a necessidade de reduzir o consumo, o governo pode aumentar o 

Empr&eacute;stimo Compuls&oacute;rio<sup>15</sup>, reduzindo o capital que os bancos 

possuem para emprestar e, assim, conseguindo o mesmo efeito de um aumento de 

juros, por&eacute;m sem os custos adicionais para o governo.
</p> 
<p>
Quando o governo percebe que h&aacute; apostas na valoriza&ccedil;&atilde;o do Real (como a 

citada aquisi&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas em D&oacute;lar para realizar investimentos em Real), 

h&aacute; algumas taxa&ccedil;&otilde;es que o governo tamb&eacute;m pode fazer para reduzir a 

atratividade deste tipo de neg&oacute;cio, como de fato o governo fez recentemente.
</p>
<p>
O cabedal de medidas que podem ser adotadas pelo governo &eacute; amplo, compondo o 

que s&atilde;o chamadas, no jarg&atilde;o, de &quot;medidas macroprudenciais&quot;. O taxa de juros 

b&aacute;sica &eacute; apenas um dos instrumentos - e um dos mais delicados, pois 

facilmente produz resultados indesejados.
</p>

<h2>Conclus&otilde;es</h2>

<a href='http://www.flickriver.com/photos/miguelangelavi/popular-

interesting/' target='_blank'><img src='files/selic16.png' class='fr' /></a>

<p>Economia n&atilde;o &eacute; um assunto f&aacute;cil de digerir: tudo &eacute; interrelacionado e, 

ainda por cima, as consequ&ecirc;ncias de qualquer mudan&ccedil;a em um par&acirc;metro 

dependem n&atilde;o apenas da l&oacute;gica, mas tamb&eacute;m da expectativa e do comportamento 

das pessoas.
</p>
<p>
Por outro lado, &eacute; importante saber que, nesse mundo, ningu&eacute;m d&aacute; ponto sem 

n&oacute;... os grandes investidores menos ainda. Os grandes investidores fazem 

lobbies no pal&aacute;cio do planalto, &quot;compram&quot; mat&eacute;rias de analistas econ&ocirc;micos, 

plantam boatos... tudo que for necess&aacute;rio para ganhar mais. Eles n&atilde;o est&atilde;o 

preocupados com voc&ecirc; ou com o Brasil pois, depois de ganhar muito dinheiro, 

eles sempre podem ir para Genebra ou qualquer outro lugar do planeta.
</p>
<p>
A &uacute;nica forma de n&atilde;o ser ludibriado a torcer pelo pr&oacute;prio fracasso &eacute; 

conhecer o mundo que nos cerca, quais s&atilde;o as for&ccedil;as envolvidas e quais s&atilde;o 

as a&ccedil;&otilde;es que regem o universo. &Eacute; complicado, mas vale o esfor&ccedil;o.
</p>
<p>
Finalmente, ainda que dioturnamente se diga que o governo &quot;n&atilde;o pode baixar 

os juro ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Mon, 05 Dec 2011 22:41:22 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Por Quem os Sinos Dobram: Parte 3</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1002</link>
            <description><![CDATA[<div id='sincite'>
<p>
Aten&ccedil;&atilde;o! Este artigo n&atilde;o se inicia aqui! Caso voc&ecirc; tenha perdido, veja a <a 

href='http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1000' 

target='_blank'>primeira parte</a>!</p>
</div>

<p>No artigo anterior foi apresentada uma explica&ccedil;&atilde;o inicial sobre a raz&atilde;o 

pela qual o aumento da taxa de juros dos t&iacute;tulos do governo faz com que os 

bancos diminuam a dispobilildade de cr&eacute;dito ao consumidor... por outro lado, 

n&atilde;o foi discutido exatamente o motivo pelo qual isso &eacute; ruim. 
</p>
<p>Neste artigo ser&aacute; retomada a explica&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre aumento de juros 

e baixa da infla&ccedil;&atilde;o como base para uma explica&ccedil;&atilde;o mais detalhada das 

consequ&ecirc;ncias ruins da postura dos bancos. Adicionalmente, s&atilde;o discutidos 

aspectos que fazem com que certos grupos lucrem com a alta das taxas de 

juros dos t&iacute;tulos p&uacute;blicos, justificando a postura dos analistas econ&ocirc;micos 

nos jornais tupiniquins. 
</p> 

<h2>Por Que a Infla&ccedil;&atilde;o Baixa Quando as Taxas de Juros Sobem?</h2>

<a href='http://jlmais.com/index.php?

option=com_tag&task=tag&tag=alta&limitstart=10' target='_blank'><img 

src='files/selic9.png' class='fr' /></a>

<p>Antes de continuarmos, vamos retomar e detalhar uma das rela&ccedil;&otilde;es j&aacute; 

apresentadas anteriormente.</p>
<p>
Em princ&iacute;pio, uma pessoa n&atilde;o pode comprar se n&atilde;o tiver recursos financeiros 

(vulgo: dinheiro). Assim, se as pessoas ficam sem dinheiro, elas param de 

comprar. Se as pessoas param de comprar, o mercado se desequilibra 

inicialmente, havendo mais oferta do que procura. Nesse panorama, a 

tend&ecirc;ncia natural seria que os pre&ccedil;os ca&iacute;ssem, causando defla&ccedil;&atilde;o (que &eacute; o 

exato inverso de infla&ccedil;&atilde;o) e, portanto, revertendo o processo inflacion&aacute;rio.
</p>
<p>
Uma forma tradicional de uma pessoa sem recursos conseguir adquirir bens ou 

servi&ccedil;os &eacute; atrav&eacute;s dos empr&eacute;stimo... empr&eacute;stimos esses que, como vimos, s&atilde;o 

parte do &quot;ganha p&atilde;o&quot; dos banqueiros. 
</p>
<p>Como se sabe, todo mundo que pega um empr&eacute;stimo tem que pagar presta&ccedil;&otilde;es 

e juros, al&eacute;m de suas contas usuais. Ent&atilde;o, a matem&aacute;tica para a concess&atilde;o de 

empr&eacute;stimos &eacute; relativamente simples: a soma das contas mensais mais 

presta&ccedil;&otilde;es e juros pagos n&atilde;o podem superar o rendimento do sujeito.
</p>
<p>Com base nessa l&oacute;gica e considerando que o aumento de juros leva a uma 

redu&ccedil;&atilde;o do total de empr&eacute;stimos concedidos pelo banco, um racioc&iacute;nio simples 

leva &agrave; conclus&atilde;o de que o aumento de juros reduz o recurso dispon&iacute;vel para 

que as pessoas consumam e, assim, conclui-se que o aumento de juros vai 

reduzir a atividade econ&ocirc;mica, proporcionando a defla&ccedil;&atilde;o previamente 

mencionada.
</p>
<p>
Como j&aacute; foi visto, os bancos dizem - e as pessoas simpl&oacute;rias acreditam - que 

o aumento da taxa de juros do governo faz com que os juros ao consumidor 

subam e seria <strong>exatamente isso</strong> que derrubaria a infla&ccedil;&atilde;o (em 

especial porque faria mais sentido para que as pessoas poupassem do que 

gastassem seu dinheiro). Entretanto, essa &eacute; apenas uma meia verdade... que 

esconde a Real raz&atilde;o pela qual os bancos e investidores adoram juros altos.
</p>
<p>
Uma simples an&aacute;lise da realidade nacional, agora com valores mais realistas 

do que fizemos no prieiro artigo - mostra o qu&atilde;o simplista &eacute; essa tese. Se o 

consumidor aceita tomar empr&eacute;stimos com taxas de juros m&eacute;dias de 120% ao 

ano, por que &eacute; que ele deixaria de aceitar o empr&eacute;stimo a uma taxa de juros 

de 120.25%? A varia&ccedil;&atilde;o da SELIC &eacute; insignificante frente &agrave;s taxas de juros 

praticadas para o consumidor... o que faz com que a explica&ccedil;&atilde;o dos bancos 

pela necessidade de juros altos seja, na melhor hip&oacute;tese, conversa para boi 

dormir.
</p>
<p>
A quest&atilde;o &eacute; a seguinte: quando os juros dos t&iacute;tulos do governo est&atilde;o baixos, 

os investidores e bancos t&ecirc;m est&iacute;mulo a emprestar para os consumidores, 

mesmo com os alto riscos j&aacute; citados. Entretanto, como j&aacute; comentado, os 

bancos n&atilde;o gostam de riscos. Assim, quando os juros do governo sobem, eles 

preferem colocar mais recursos em t&iacute;tulos do governo, como tamb&eacute;m j&aacute; 

explicado, porque embora o lucro seja menor, o retorno &eacute; certo... isto &eacute;, 

sem riscos.
</p>
<p>
Mas o que isso tem a ver com a redu&ccedil;&atilde;o da infla&ccedil;&atilde;o?
</p>

<a href='http://gvfreire.blogspot.com/2011/05/cuidado-com-os-agiotas.html' 

target='_blank'><img src='files/selic10.png' class='fr' /></a>

<p>
Tamb&eacute;m como j&aacute; discutido, a rela&ccedil;&atilde;o entre o comportamento do banco e a 

infla&ccedil;&atilde;o &eacute; que, se o banco pegou o recurso e comprou t&iacute;tulos do governo, ele 

n&atilde;o vai emprestar para o consumidor que for at&eacute; o banco pedir um empr&eacute;stimo. 

Isso &eacute; feito, usualmente, n&atilde;o aumentando ainda mais as j&aacute; absurdas e 

extorsivas taxas de juros ao consumidor, mas enrijecendo os crit&eacute;rios de 

concess&atilde;o de cr&eacute;dito. Isso significa, por exemplo, que o senhor &quot;Z&eacute; das 

Couves&quot; que, com um sal&aacute;rio de R$1.500,00 conseguia um empr&eacute;stimo de R

$500,00 &quot;pr&eacute;-aprovado&quot; na semana anterior a um aumento da taxa SELIC, depois 

do aumento n&atilde;o ter&aacute; mais seu cr&eacute;dito aprovado.
</p>

<p>
Observe que o cliente deixou de tomar o cr&eacute;dito n&atilde;o porque a taxa de juros 

subiu, mas porque o banco se recusou a emprestar. E o banco se recusou a 

emprestar porque tinha algo melhor para fazer com o dinheiro: emprestar para 

o governo e lucrar &quot;sem fazer nada&quot;.
</p>
<p>
Esse tipo de situa&ccedil;&atilde;o &eacute; chamado, em &quot;economiqu&ecirc;s&quot;, de 

&quot;<strong>empo&ccedil;amento</strong>&quot;. Empo&ccedil;amento &eacute; quando os bancos &quot;sentam&quot; em 

cima do recurso financeiro e n&atilde;o o emprestam.
</p>
<p>
Ocorre que essa &eacute; a forma <strong>errada</strong> de combater a infla&ccedil;&atilde;o. E 

por qu&ecirc;?
</p>
<p>
A raz&atilde;o b&aacute;sica para que isso seja errado &eacute; o efeito sist&ecirc;mico que o tal 

comportamento de &quot;sentar&quot; em cima do recurso ocasiona. Em resumo, se as 

pessoas n&atilde;o compram, as empresas deixam de vender. Se elas deixam de vender, 

elas deixam de lucrar e reduzem os empregos (e, eventualmente, quebram). Com 

a redu&ccedil;&atilde;o de empregos, a remunera&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia das pessoas cai e elas passam a 

consumir ainda menos, agravando ainda mais o ciclo.
</p>

<a href='http://cria-o-teu-avatar.blogspot.com/2009/01/recesso-

econmica.html' target='_blank'><img src='files/selic11.png' class='fr' 

/></a>

<p>
Esse ciclo vicioso &eacute; chamado de <strong>recess&atilde;o</strong> e, basicamente, 

significa que o pa&iacute;s para de crescer (na verdade, ele encolhe) e as pessoas 

ficam cada vez mais pobres.
</p>
<p>
E isso vale inclusive para o governo, que passa a arrecadar menos impostos, 

e, para continuar a investir e tentar reverter o processo, ter&aacute; de pagar 

mais juros... Ocorre que, na situa&ccedil;&atilde;o recessiva, todos (as pessoas e 

governo) t&ecirc;m menos recursos e, sendo assim, h&aacute; dois novos fatores envolvidos 

na &quot;brincadeira&quot;:
</p>
<ol>
	<li>Poucas pessoas possuem recursos para investir em t&iacute;tulos do 

governo (ou seja, para emprestar para o governo);</li>
	<li>Com as quebras e perdas de emprego, o risco de calote aumenta 

(inclusive o do pr&oacute;prio governo).</li>
</ol>
<p>
Com esses dois novos fatores, o governo tem que pagar juros ainda mais 

altos, piorando ainda mais a situa&ccedil;&atilde;o, pois agrava o empo&ccedil;amento e 

compromete ainda mais os recursos do governo com o pagamento de d&iacute;vida, 

levando a uma crise profunda e permanente.
</p>
<p>
Quando isso ocorre, o pa&iacute;s n&atilde;o tem outra alterntiva al&eacute;m de ir &quot;com o pires 

na m&atilde;o&quot; pedir dinheiro ao FMI, como o Brasil fez diversas vezes antes de 

2003.
</p>
<p>
Mas se o desastre &eacute; t&atilde;o grande e iminente, por que &eacute; que o &quot;mercado&quot; 

colabora com essa vis&atilde;o tacanha dos bancos?
</p>

<h2>Por Que o &quot;Mercado&quot; Quer Que a Taxa de Juros Suba?</h2>

<p>
Como j&aacute; foi apresentado de diversas formas, o aumento da taxa de juros 

sempre leva a consequ&ecirc;ncias funestas para a chamada &quot;economia real&quot; 

(empresas produtoras, envolvendo sua cadeia de produ&ccedil;&atilde;o e consumo). Por que, 

ent&atilde;o, &quot;o mercado&quot; deseja altas taxas de juros?
</p>
<p>
A resposta est&aacute;, obviamente, na natureza humana. O ser humano &eacute; naturalmente 

pregui&ccedil;oso e isso se manifesta das mais diferentes formas: do controle 

remoto ao uso de carro para ir &agrave; padaria. Isso n&atilde;o &eacute; intrinsecamente ruim, 

j&aacute; que grande parte do chamado &quot;desenvolvimento&quot; est&aacute; atrelado a &quot;produzir 

mais fazendo menos&quot;<sup>12</sup>.
</p>
<p>
O problema surge quando a pregui&ccedil;a chega a um extremo em que se quer ganhar 

sem esfor&ccedil;o  ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Fri, 02 Dec 2011 22:24:17 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Por Quem os Sinos Dobram: Parte 2</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1001</link>
            <description><![CDATA[<div id='sincite'>
<p>
Aten&ccedil;&atilde;o! Este artigo n&atilde;o se inicia aqui! Caso voc&ecirc; tenha perdido, veja a <a 

href='http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1000' 

target='_blank'>primeira parte</a>!</p>
</div>

<p>No artigo anterior foi apresentada uma breve explica&ccedil;&atilde;o sobre o 

significado da taxa SELIC e tamb&eacute;m foi apresentado um dos muitos problemas 

de um valor alto para esta taxa.
</p>
<p>Neste artigo ser&atilde;o apresentados os problemas que as altas taxas de juros 

trazem para o setor produtivo, bem como o efeito dessas taxas no &quot;pre&ccedil;o&quot; do 

D&oacute;lar e as consequ&ecirc;ncias dessa intera&ccedil;&atilde;o na economia. Finalmente, inicia-se 

a discuss&atilde;o da raz&atilde;o para as sugest&otilde;es de alta na taxa de juros.
</p> 

<h2>A Redu&ccedil;&atilde;o da Produ&ccedil;&atilde;o</h2>

<p>
Uma consequ&ecirc;ncia direta - mas nem sempre muito bem compreendida - das altas 

taxas de juros &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o dos investimentos em produ&ccedil;&atilde;o. Por que uma taxa 

de juros de t&iacute;tulos do governo alta iria influir na produ&ccedil;&atilde;o?
</p><p>

Para entender esse efeito &eacute; necess&aacute;rio, antes de mais nada, compreender qual 

&eacute; o &quot;combust&iacute;vel&quot; dos investidores: a <strong>rentabilidade</strong>. Sempre 

que algu&eacute;m vai investir em qualquer neg&oacute;cio, essa pessoa observa pelo menos 

quatro elementos: 1) o montante a ser investido; 2) a remunera&ccedil;&atilde;o pelo 

investimento; 3) o prazo de retorno do investimento e, finalmente, 4) o 

risco envolvido.
</p><p>

Se um investidor tiver de escolher entre v&aacute;rias alternativas de 

investimento, ele vai escolher comparando esses fatores entre todos os 

investimentos poss&iacute;veis, selecionando aquele que lhe parece mais 

interessante.
</p><p>

Destes quatro fatores, entretanto, um se sobressai quando se analisa o 

comportamento da grande maioria dos investidores - em especial em &eacute;pocas de 

grandes incertezas como a em que vivemos: o <strong>risco</strong>. Quanto 

maior o risco, mais dif&iacute;cil achar algu&eacute;m para topar um investimento. Um alto 

risco faz com que muitos investidores sequer se interessem ´pela 

rentabilidade/prazo de retorno do investimento<sup>4</sup>.
</p>


<a href='http://suaideiavale1milhao.com.br/category/entertainment/' 

target='_blank'><img src='files/selic4.png' class='fr' /></a>

<p>
Neste panorama, imaginemos que um investidor seja picado pelo &quot;mosquito do 

empreendedorismo&quot; e resolva investir R$100.000,00 para abrir uma loja de uma 

franquia qualquer. Esse tipo de investimento exige um montante alto, costuma 

ter um prazo para retorno relativamente dilatado (2 a 3 anos, se tudo correr 

bem) e, no final, consideremos que a rentabilidade n&atilde;o &eacute; exatamente 

gigantesca, ficando na casa dos 30% ao ano. O risco, por sua vez, &eacute; m&eacute;dio 

(por se tratar de uma franquia)... e incomoda o empreendedor.
</p>

<p>
Neste momento, com o risco em mente, o investidor pensa em tudo que ele tem 

a perder: suponhamos que n&atilde;o d&ecirc; certo; o que est&aacute; em jogo n&atilde;o &eacute; apenas a 

rentabilidade: &eacute; preciso considerar que n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil &quot;sair&quot; do neg&oacute;cio, 

pois para recuperar uma boa parte do valor inicialmente investido &eacute; preciso 

achar algu&eacute;m para comprar a &quot;unidade franquiada&quot;. Isso significa que, se n&atilde;o 

der certo, recuperar o capital investido ser&aacute; dif&iacute;cil, se n&atilde;o imposs&iacute;vel. 

Considerando que funcione mais ou menos bem, ser&aacute; necess&aacute;rio pelo menos uns 

2 a 3 anos para que o investimento seja pago... e depois disso, o rendimento 

ainda n&atilde;o &eacute; muito bom. Isso para n&atilde;o falar no trabalho de tocar uma unidade 

comercial, lidar com funcion&aacute;rios, clientes, manuten&ccedil;&atilde;o...
</p><p>

A&iacute; o investidor olha para o lado e v&ecirc; as &quot;ofertas&quot; de t&iacute;tulos do governo: 

voc&ecirc; empresta quanto quiser, escolhe o prazo para receber seu capital de 

volta, n&atilde;o vai ter trabalho algum par obter sua renda e, finalmente, n&atilde;o 

corre praticamente risco nenhum. 
</p><p>

Repare, por&eacute;m, que quando a taxa de retorno do investimento na franquia for 

de 30% (ou mais) e a taxa de juros do governo for de 10% (ou menos), o 

investidor ainda pode ficar tentado a montar o neg&oacute;cio, afinal... mesmo com 

o risco maior e a dor de cabe&ccedil;a maior, &eacute; um retorno 3 vezes maior. 

Entretanto, &agrave; medida em que a taxa de juros sobe, investir na franquia fica 

cada vez menos atrativo<sup>5</sup>. 
</p><p>

Ora, quanto mais pr&oacute;xima da rentabilidade da franquia for a rentabilidade 

garantida pelo governo, menos pessoas se aventurar&atilde;o com a franquia. Isso 

faz com que o pa&iacute;s cres&ccedil;a mais lentamente; todos os novos neg&oacute;cios que iriam 

ser criados, gerando emprego, renda e <strong>mais impostos</strong> 

simplesmente deixam de ocorrer, agravando a situa&ccedil;&atilde;o do governo (que al&eacute;m de 

ter que pagar uma grande soma em juros pelos t&iacute;tulos, ainda por cima passa a 

arrecadar menos impostos).
</p><p>
Assim, mais uma vez fica claro que subir a taxa de juros b&aacute;sica - 

aproximando-a do retorno dos investimentos tradicionais - tem efeitos 

delet&eacute;rios para a economia como um todo.
</p>

<h2>O Problema do D&oacute;lar</h2>

<a href='http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/dolar-segue-melhora-

externa-e-opera-em-baixa' target='_blank'><img src='files/selic5.png' 

class='fr' /></a>

<p>
Esses resultados j&aacute; seriam suficientemente ruins se nosso pa&iacute;s fosse, como 

se diz, &quot;uma ilha&quot;, absolutamente isolado do mundo. Mas, como o Brasil n&atilde;o &eacute; 

isolado, uma alta taxa b&aacute;sica de juros tem consequ&ecirc;ncias ainda mais insanas, 

em especial com o resto do mundo em crise.
</p>
<p>
Por qu&ecirc;? Bem, comecemos entendendo o que se passa nos pa&iacute;ses em criste. Como 

uma maneira de contrapor os efeitos acima relatados (al&eacute;m de outros), estes 

pa&iacute;ses sustentam a taxa de juros em n&iacute;veis <strong>muito baixos</strong>. A 

id&eacute;ia &eacute; que isso estimule o investimento na chamada &quot;economia real&quot; 

(produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os), tornando tais investimentos muito mais 

atrativos que deixar o dinheiro parado com o governo<sup>6</sup>. 
</p>
<p>
Por outro lado, as pessoas desses pa&iacute;ses t&ecirc;m uma alternativa al&eacute;m da 

cl&aacute;ssica &quot;abrir um neg&oacute;cio x comprar t&iacute;tulos do governo de seu pa&iacute;s&quot;... que 

tal comprar t&iacute;tulos do governo brasileiro?
</p>
<p>Existe um pequeno empec&iacute;lho para os estrangeiros, entretanto: os t&iacute;tulos 

do governo brasileiro s&atilde;o vendidos em <strong>reais</strong>, n&atilde;o em sua 

moeda ou em d&oacute;lares... Sendo assim, para comprar t&iacute;tulos do governo do 

Brasil, os <strong>investidores estrangeiros</strong> precisam comprar 

reais... ou, em outras palavras, os estrangeiros precisam encontrar 

brasileiros que queriam trocar reais por d&oacute;lares.
</p>
<p>Como est&aacute; dif&iacute;cil e arriscado obter bons rendimentos na maioria dos 

pa&iacute;ses e o governo brasileiro oferece uma op&ccedil;&atilde;o muito rent&aacute;vel (altas taxas 

de juros) e de baixo risco, o resultado &eacute; uma quantidade 

<strong>enorme</strong> de investidores estrangeiros desejando trocar 

d&oacute;lares por reais, a fim de comprar t&iacute;tulos do governo. Sendo assim, como 

tem muita gente com d&oacute;lar procurando pessoas que tenham reais para &quot;trocar&quot;, 

o resultado &eacute; que sobram d&oacute;lares e faltam reais.
</p>
<p>Neste caso, as moedas se comportam como produtos no mercado. O que ocorre 

com o pre&ccedil;o de &quot;coisas&quot; que est&atilde;o em falta? E com o pre&ccedil;o das &quot;coisas&quot; que 

est&atilde;o sobrando?
</p>
<p>Como sobra d&oacute;lar, seu &quot;pre&ccedil;o&quot; cai... como falta Real, seu pre&ccedil;o &quot;sobe&quot;. 

Isso significa, em outras palavras, que o <strong>Real se valoriza frente ao 

d&oacute;lar</strong>. Quais as consequ&ecirc;ncias disso?</p>

<p>Para a ind&uacute;stria estrangeira, isso &eacute; maravilhoso: com o Real valorizado, 

um Real &quot;compra&quot; mais d&oacute;lares e, assim fica barato comprar todos aqueles 

produtos importados, ir viajar para o exterior e gastar um monte de grana 

por l&aacute;. Entretanto, para a nossa ind&uacute;stria... um Real valorizado significa o 

caos.</p>


<a href='http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=585' target='_blank'><img 

src='files/selic6.png' class='fr' /></a>

<p>A ind&uacute;stria nacional tem a maior parte dos seus custos atrelados &agrave; moeda 

Real e, quando o valor da moeda Real sobe com rela&ccedil;&atilde;o ao D&oacute;lar, s&atilde;o 

necess&aacute;rios mais d&oacute;lares para comprar um produto em reais. Em outras 

palavras, isso significa que o pre&ccedil;o dos nossos produtos fica mais alto 

quando comparados com produtos cujos custos s&atilde;o atrelados &agrave; moeda d&oacute;lar. No 

fim das contas, isso significa que, quanto mais valorizado estiver o Real 

frente ao D&oacute;lar, mais dif&iacute;cil vai ser vender produtos brasileiros para 

estrangeiros. Os estrangeiros v&atilde;o preferir comprar os produtos mais baratos 

de outros lugares... ao inv&eacute;s de comprar os &quot;caros produtos brasileiros&quot;. 

Para piorar, mes ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Wed, 30 Nov 2011 23:54:32 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Por Quem os Sinos Dobram: Parte 1</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1000</link>
            <description><![CDATA[<div id='sinlegend'>
<p>
Voc&ecirc; &eacute; daquelas pessoas que sempre quis entender o que os &quot;analistas 

econ&ocirc;micos&quot; dizem mas nunca conseguiu decifrar os jarg&otilde;es? J&aacute; se pegou 

pensando no que o d&oacute;lar tem a ver com a taxa de juros? Ficou sem entnder 

porque nos &uacute;timos meses dezenas de analistas jogaram pedra no governo porque 

ele fez exatamente o que os analistas exigiam h&aacute; anos (abaixar a taxa de 

juros)?
</p><p>
Se voc&ecirc; j&aacute; se pegou algumas vezes fazendo essas perguntas ou &eacute; apenas muito 

curioso, prepare-se para um jornada de v&aacute;rios artigos pela economia 

tupiniquim moderna.. prepare-se para um curso rel&acirc;pago para compreender o 

notici&aacute;rio econ&ocirc;mico nacional!
</p>
</div>

<a href='http://obviousmag.org/archives/2008/09/a_vida_secreta.html' 

target='_blank'><img src='files/selic1.png' class='fr' /></a>
<p>
A observa&ccedil;&atilde;o da natureza mostra como a grande maioria dos animais &eacute; afeita a 

padr&otilde;es. O ser humano, certamente, n&atilde;o foge &agrave; esta regra. Dormir sempre do 

mesmo lado da cama, seguir a &quot;moda&quot; ou mesmo &quot;nunca fazer a mesma coisa&quot; s&atilde;o 

padr&otilde;es aos quais estamos habituados; &eacute; incomum encontrar um animal saud&aacute;vel 

que apresente um comportamento err&aacute;tico.
</p><p>

Esse &eacute; assunto para um outro post, mas o fato &eacute; que, como humanos, temos 

h&aacute;bitos. Sempre tentamos estabelecer regras e identificar padr&otilde;es. Quanto 

mais agimos sem pensar, mais nos tornamos &quot;escravos&quot; das regras t&aacute;citas que 

construimos em nossas mentes.
</p><p>

Para a maioria das pessoas isso significa apenas ir sempre ao mesmo 

supermercado, ouvir todos os dias as mesmas r&aacute;dios, cortar o cabelo sempre 

do mesmo jeito (ou sempre de um jeito diferente)... o maior risco que as 

pessoas normais correm &eacute; cair na mesmisse e ter uma crise no casamento 

porque &eacute; tudo &quot;sempre muito igual&quot;.
</p><p>

Para pessoas da &aacute;rea t&eacute;cnica, entretanto, os h&aacute;bitos podem ser desastrosos. 

O h&aacute;bito de seguir uma regra pode cegar para outros elementos e tornar o 

resultado de uma an&aacute;lise totalmente equivocado, causando preju&iacute;zos enormes, 

sejam eles financeiros ou humanos.
</p><p>

Um destes h&aacute;bitos perigosos &eacute; o de seguir um &quot;mantra&quot; sem o saud&aacute;vel 

questionamento... um mantra como aquele que transparece em declara&ccedil;&otilde;es de 

especialistas e leigos na &aacute;rea econ&ocirc;mica: <em>se a atividade econ&ocirc;mica 

aumenta, tem infla&ccedil;&atilde;o... e ent&atilde;o o governo deve subir a taxa de juros b&aacute;sica 

(SELIC, no Brasil) para reduzir a atividade econ&ocirc;mica e controlar a 

infla&ccedil;&atilde;o</em>. Esse assunto tem estado h&aacute; tanto tempo na pauta, todos os 

dias no jornal, que a grande maioria das pessoas concorda com essa regra e 

se surpreende quando, por exemplo, o Banco Central abaixa a taxa de juros 

b&aacute;sica mesmo com uma infla&ccedil;&atilde;o relativamente alta.
</p><p>

Ser&aacute; que o Banco Central errou?
</p><p>

Ser&aacute; que foi interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tica?
</p><p>

Bem, ao inv&eacute;s de responder diretamente a estas perguntas, vou apresentar o 

assunto por um outro vi&eacute;s... vou lhe fazer uma pergunta, caro leitor: voc&ecirc; 

sabe o que &eacute; e para que serve a taxa SELIC?
</p>

<h2>
O Que &eacute; a Taxa SELIC
</h2>

<a href='http://guiadodinheiro.powerminas.com/emprestimoscuidados-com-as-

facilidades/' target='_blank'><img src='files/selic2.png' class='fr' /></a>
<p>
Creio que todos saibam o que &eacute; tomar um empr&eacute;stimo. Algu&eacute;m que precise de 

dinheiro vai ao banco e solicita um empr&eacute;stimo. O gerente do banco analisa o 

pedido da pessoa, as garantias que ela d&aacute; e, de acordo com o risco do 

empr&eacute;stimo (leia-se: da pessoa n&atilde;o pagar), diz quanto pode emprestar e 

estipula uma taxa de juros, que &eacute; o quanto a mais a pessoa ter&aacute; que pagar ao 

banco para receber o empr&eacute;stimo. Nestes termos, o juro &eacute; uma remunera&ccedil;&atilde;o ao 

banco pelo risco que ele corre quando empresta dinheiro a algu&eacute;m.
</p><p>

Bem, para um governo as coisas n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o simples; primeiro porque os 

empr&eacute;stimos que o governo eventualmente precisa s&atilde;o muito altos e segundo 

porque um governo pegar dinheiro no sistema banc&aacute;rio do pr&oacute;prio pa&iacute;s pode 

ter consequ&ecirc;ncias ruins que fogem ao foco deste texto. Entretanto, o governo 

n&atilde;o est&aacute; &quot;abandonado&quot;, ele tem diversas alternativas.
</p><p>

Ele pode imprimir dinheiro<sup>1</sup> ou aumentar impostos<sup>2</sup>, por 

exemplo. Pode at&eacute; pedir dinheiro ao Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI)

<sup>3</sup>. Cada uma dessas op&ccedil;&otilde;es tem consequ&ecirc;ncias muito ruins para o 

pa&iacute;s, para n&atilde;o falar no custo pol&iacute;tico. 
</p><p>

Mas ent&atilde;o... o governo n&atilde;o tem uma alternativa saud&aacute;vel? Todas as formas de 

pegar empr&eacute;stimo s&atilde;o horr&iacute;veis?
</p><p>

Bem, &eacute; exatamente para isso que existem os chamados <strong>t&iacute;tulos 

p&uacute;bicos</strong>. Qualquer cidad&atilde;o pode comprar um destes t&iacute;tulos que, na 

pr&aacute;tica, significa que o cidad&atilde;o <strong>emprestou dinheiro</strong> para o 

governo. O t&iacute;tulo simplesmente diz isso: &quot;Fulano de tal, emprestou R$XXXX,XX 

para o governo, que ser&aacute; devolvido em YY anos&quot;. Ora, e por que, em s&atilde; 

consci&ecirc;ncia, um cidad&atilde;o que j&aacute; paga uma fortuna em impostos se interessaria 

por emprestar dinheiro ao governo? 
</p><p>

&Eacute; nessa resposta que est&aacute; o pulo do gato. 
</p><p>

Para que as pessoas emprestem dinheiro ao governo, ele paga uma taxa de 

juros anual, que usualmente varia com o prazo (o n&uacute;mero de anos para que o 

governo devolva o dinheiro). Essa taxa de juros pode ser fixa (8% ao ano, 

por exemplo), pode ser atrelada &agrave; infla&ccedil;&atilde;o (IPCA + 3% ao ano, por exemplo) 

ou pode ser atrelada &agrave; uma taxa flutuante que, no Brasil, atualmente &eacute; a 

chamada SELIC.
</p><p>

Assim como o banco exige que o juro seja maior quanto maior o risco, tamb&eacute;m 

as pessoas que pretendem comprar t&iacute;tulos do governo t&ecirc;m exig&ecirc;ncias: quanto 

mais arriscado &eacute; considerado o investimento em um pa&iacute;s, maior &eacute; a taxa de 

juros exigida dos t&iacute;tulos p&uacute;blicos daquele pa&iacute;s. </p><p>

Assim, se o governo precisa muito de dinheiro emprestado, ele pode subir a 

taxa de juros, para tornar o empr&eacute;stimo ao governo mais &quot;atrativo&quot;. Exemplo: 

se voc&ecirc; pode investir na sua loja e ter um retorno de 8% e correr todos os 

riscos, ou pode emprestar para o governo e receber 12.5% correndo bem menos 

riscos... &eacute; uma decis&atilde;o &oacute;bvia: empreste para o governo e v&aacute; descansar na 

rede, tomando uma cerveja na beira da praia!
</p><p>

Bem, sabendo que o Brasil tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, 

pode-se concluir que o Brasil &eacute; um dos pa&iacute;ses que mais precisa de 

dinheiro... ou &eacute; um dos pa&iacute;ses mais arriscados do mundo para se investir, 

certo?
</p><p>

<strong>
ERRADO.
</strong>
</p><p>

Foge ao escopo deste texto explicar o porque, mas o Brasil &eacute;, atualmente, um 

dos pa&iacute;ses de menor risco de investimento e, sim, o governo precisa de 

dinheiro, mas n&atilde;o na magnitude que a taxa de juros SELIC sugere.
</p><p>

Em uma an&aacute;lise superficial, essa incoer&ecirc;ncia pode n&atilde;o ser grave... mas em 

uma an&aacute;lise mais aprofundada, os problemas ficam evidentes.
</p>

<h2>
Problemas de uma Taxa de Juros Alta
</h2>

<p>
Quando somos n&oacute;s quem pagamos um empr&eacute;stimo, queremos que a taxa de juros 

seja sempre a menor poss&iacute;vel, n&atilde;o &eacute;? Bem, para o governo, ent&atilde;o, quanto 

menor o juros que ele tiver de pagar, tamb&eacute;m &eacute; melhor, correto? 
</p><p>

Mas o que n&oacute;s, simples cidad&atilde;os, temos com isso?
</p><p>

N&oacute;s temos com isso que esses juros s&atilde;o pagos <strong>com os impostos que n&oacute;s 

pagamos</strong>. &quot;Lendo&quot; de outra maneira, quanto maior a taxa de juros, maior &eacute; 

a fatia dos nossos impostos que &eacute; repassada aos cidad&atilde;os que emprestaram 

dinheiro ao governo.
</p><p>

Apesar de s&oacute; isso, em si, n&atilde;o ser raz&atilde;o para indigna&ccedil;&atilde;o, vamos pensar com um 

pouco mais de calma. Imagine um sujeito que ganha R$3.000,00 por m&ecirc;s e 

gasta, para se manter, cerca de R$1.500,00. Vamos chamar esses R$1.500,00 

que sobram de <strong>capacidade de investimento</strong>. 
</p>

<a href='http://quatrorodas.abril.com.br/QR2/autoservico/compra/' 

target='_blank'><img src='files/selic3.png' class='fr' /></a>
<p>
Suponhamos agora que este indiv&iacute;duo resolva comprar um carro, com uma 

parcela de R$900,00 por m&ecirc;s. Isso significa que, no or&ccedil;amento dele, a 

capacidade de investimento passou a ser de R$600,00 (R$1.500,00 anteriores 

menos os R$900,00 do carro). Digamos tamb&eacute;m que, por conta de necessidades 

de melhorias em sua casa - uma pinturinha aqui, um vaso novo ali -, ele 

sempre acaba investindo todo este dinheiro (ou, em outras palavras, ele 

gasta).
</p><p>

Imagine, agora, que esse sujeito fique doente, passe um dia in ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Mon, 28 Nov 2011 18:55:13 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>O Bolsa-Marginal</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=999</link>
            <description><![CDATA[<p>Hoje recebi um e-mail ap&oacute;crifo, encaminhado pela minha irm&atilde; mais velha. O e-mail destila &oacute;dio contra um tal de &quot;aux&iacute;lio-reclus&atilde;o&quot;. Vejamos, primeiro, o que diz o e-mail:</p>
<p> </p>
<div id='sincite'>
<a href='http://www.dignow.org/post/bolsa-marginal-740893-59829.html' target='_blank'><img src='files/bpreso1.png' class='fl'></a>
<p>Portaria no. 48 da Prev.Social</p>
<p>O VALOR DO SALARIO FAMILIA PRESIDIARIO PASSOU A SER DE R$810,18. 
E TEM MAIS. . . 
</p><p>
NO CASO DE MORTE DO &quot;POBRE PRESIDI&Aacute;RIO&quot;, A REFERIDA QUANTIA DO AUX&Iacute;LIO- RECLUS&Ccedil;O PASSA A SER &quot;PENS&Atilde;O POR MORTE&quot;. O GRANDE LANCE ROUBAR OU MATAR PARA SER PRESO E ASSIM SUSTENTAR CONDIGNAMENTE A SUA PROLE.
</p><p>
Repassando, pois entendo que &eacute; mais um dos muitos absurdos desse paĦs e por isso a Previd&ecirc;ncia Social est&aacute; sempre quebrada e n&atilde;o tem verbas para pagar decentemente quem trabalhou uma vida toda!   
</p><p>
REVOLTANTE !!! 
</p><p>
Voc&ecirc; sabe o que &eacute; o AUX&Iacute;LIO RECLUS&Atilde;O? 
</p><p>
Todo presidi&aacute;rio com filhos tem direito a uma bolsa que, a partir de 1/1/2010 &eacute; de R$798,30 por filho para sustentar a famĦlia, j&aacute; que o coitadinho n&atilde;o pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso. Mais que um sal&aacute;rio mĦnimo que muita gente por aĦ rala pra conseguir e manter uma famĦlia inteira.
</p><p>
Ou seja, (falando agora no popular pra ser entendido) bandido com 5 filhos, al&eacute;m de comandar o crime de dentro das pris&otilde;es, comer e beber nas costas de quem trabalha e/ou paga impostos, ainda tem direito a receber aux&iacute;lio reclus&atilde;o de R$3.991,50 da Previd&ecirc;ncia Social.
</p><p>
Qual pai de famĦlia com 5 filhos recebe um sal&aacute;rio suado igual ou mesmo um aposentado que trabalhou e contribuiu a vida inteira e ainda tem que se submeter ao fator previdenci&aacute;rio?
</p><p>
Mesmo que seja um aux&iacute;lio tempor&aacute;rio, pris&atilde;o n&atilde;o &eacute; col&ocirc;nia de f&eacute;rias. Isto &eacute; um incentivo a criminalidade. Que pol&iacute;ticos e que governo &eacute; esse?????
</p><p>
N&atilde;o acredita?
</p><p>
Confira no site da Previd&ecirc;ncia Social.
</p><p>
<a href='http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/65/MF-MPS/2010/568.htm' target='_blank'>Portaria no. 48, de 12/2/2009, do INSS</a>
</p><p>
</p> <p>
Pergunto-lhes:
</p><p>
1. Vale a pena estudar e ter uma profiss&atilde;o?
</p><p>
2. Trabalhar 30 dias para receber sal&aacute;rio mĦnimo de R$510,00, fazer malabarismo com or&ccedil;amento pra manter a fam&iacute;lia?
</p><p>
3. Viver endividado com presta&ccedil;&otilde;es da TV, do celular ou do carro que voc&ecirc; n&atilde;o pode ostentar pra n&atilde;o ser assaltado?
</p><p>
4. Viver recluso atr&aacute;s das grades de sua casa?
</p><p>
5. Por acaso os filhos do sujeito que foi morto pelo coitadinho que est&aacute; preso, recebe uma bolsa de R$798,30 para seu sustento?
</p><p>
6. J&aacute; viu algum defensor dos direitos humanos defendendo esta bolsa para os filhos das v&iacute;timas? 
</p><p>
MOSTRE A TODOS O QUE OCORRE NESSE PA&Iacute;S!!!   
</p>
</div>
<p> 
</p><p>
Gente,
</p>
<a href='http://www.stephenpickering.com/2009/02/17/the_financial_crisis_of_2008_was_a_hoax/' target='_blank'><img src='files/bpreso2.png' class='fr'></a>
<p>
Para se indignar ou falar mal, primeiro tem que se informar direito.
</p><p>
O &uacute;nico link fornecido nesse e-mail revoltoso &eacute; um link que indica algumas regras gerais do INSS, dos quais o aux&iacute;lio-reclus&atilde;o &eacute; apenas um item.
</p><p>
Se a pessoa que escreveu essa mensagem merecesse algum cr&eacute;dito, ela n&atilde;o precisaria mentir e distorcer tanto os dados quanto o fez para tentar, desesperadamente, apoiar sua falta de argumentos.
</p><p>
 
</p><p>
Vamos aos fatos.
</p>
<h2>Hist&oacute;rico:</h2>
<p>O aux&iacute;lio-reclus&atilde;o &eacute; antiqu&iacute;ssimo, da d&eacute;cada de 60, criado pelo extinto Instituto de Aposentadoria e Pens&otilde;es dos Mar&iacute;timos (IAPM) e depois pelo Instituto de Aposentadoria e Pens&otilde;es dos Banc&aacute;rios (IAPB), ambos da d&eacute;cada de 1930<sup>1,2</sup>.
</p><p>
Este instrumento foi adicionado &agrave; Lei Org&acirc;nica da Previd&ecirc;ncia Social (<a href='http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1960/3807.htm' target='_blank'>Lei no. 3.807, de 26 de agosto de 1960</a>), no governo Juscelino Kubitschek, tendo sido mantido na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, no governo de 
Jos&eacute; Sarney<sup>1</sup> e, finalmente, definido com esse nome pela <a href='http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L8213cons.htm' target='_blank'>lei 8.213, de 24 de junho de 1991</a>, no ent&atilde;o governo Fernando Collor, com gest&atilde;o do ministro do trabalho Antonio Magri e ministro da fazenda Marc&iacute;lio Marques Moreira<sup>3, 4</sup>.
</p>
<h2>O que &eacute; o aux&iacute;lio-reclus&atilde;o?</h2>
<a href='http://www.apostolodoriel.com.br/2010/02/lei-injusta/' target='_blank'><img src='files/bpreso3.png' class='fl'></a>
<p>&Eacute; o aux&iacute;lio prestado &agrave; <strong>fam&iacute;lia</strong> do indiv&iacute;duo que, devidamente empregado, com renda inferior ou igual a R$862,11 (valor de 2011)<sup>5</sup>, contribuinte do INSS, for condenado &agrave; pris&atilde;o no <strong>regime fechado</strong>, comprovada a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de nenhuma outra fonte de renda para a fam&iacute;lia (incluindo outros benef&iacute;cios pagos pelo pr&oacute;prio INSS). Em caso de fuga do detento, o valor &eacute; suspenso at&eacute; sua recaptura. Em caso de convers&atilde;o de pena em regime semi-aberto ou aberto, o 
valor tamb&eacute;m &eacute; suspenso<sup>1,3</sup>.
</p><p>
O valor <strong>m&aacute;ximo</strong> pago &eacute; o valor do sal&aacute;rio do trabalhador at&eacute; o momento de sua pris&atilde;o, e esse valor &eacute; <strong>por fam&iacute;lia</strong>. Isto significa que o m&aacute;ximo que a fam&iacute;lia recebe &eacute; R$862,11, independente do n&uacute;mero de filhos <sup>1,5</sup>.
</p>
<h2>Revoltante?</h2>
<p>O aux&iacute;lio-reclus&atilde;o &eacute; mais um benef&iacute;cio de seguridade social; n&atilde;o &eacute; um benef&iacute;cio direto ao contribuinte, mas &agrave; sua fam&iacute;lia. Observe: o preso <strong>teve que contribuir</strong> para a previd&ecirc;ncia at&eacute; sua reclus&atilde;o para que sua fam&iacute;lia
tenha o direito a receber o aux&iacute;lio. E se ele falecer na pris&atilde;o, naturalmente, sua fam&iacute;lia recebe pens&atilde;o, como se o contribuinte tivesse falecido em trabalho<sup>6</sup>.
</p><p>
Frisado o fato que o INSS &eacute; uma <strong>seguradora</strong> p&uacute;blica, o ponto social em discuss&atilde;o aqui &eacute; o seguinte: o indiv&iacute;duo que vai para a pris&atilde;o perde uma por&ccedil;&atilde;o de seus direitos, mas &eacute; justo que sua fam&iacute;lia que, at&eacute; prova em contr&aacute;rio n&atilde;o tem nada a ver com a hist&oacute;ria, perca tamb&eacute;m os seus?<sup>7</sup>
</p><p>
A lei acha que n&atilde;o, a hist&oacute;ria acha que n&atilde;o. E eu tamb&eacute;m acho que n&atilde;o.
</p><p>
Vale lembrar que, diferentemente do enunciado pelo desconhecido e revoltado autor, os filhos das pessoas assassinadas tamb&eacute;m recebem pens&atilde;o, caso o falecido seja contribuinte do INSS, como seria esperado de qualquer seguro: quem paga, recebe<sup>8</sup>.
</p><p> 
</p>
<a href='http://aimotion.blogspot.com/2009_04_01_archive.html' target='_blank'><img src='files/bpreso4.png' class='fr'></a>
<p>
Nesse pa&iacute;s h&aacute; gente revoltada demais com coisas de menos (como as bolsas e aux&iacute;lios sociais) e revoltada de menos com coisas demais (como o tanto de gente que &quot;quer se dar bem&quot; em cima dos outros, como &eacute; pr&aacute;tica comum do cidad&atilde;o m&eacute;dio desde a &quot;funda&ccedil;&atilde;o&quot; deste pa&iacute;s).
</p><p> 
</p><p>
  Os seres vivos - incluindo o ser humano - demoraram bilh&otilde;es de anos para aprender e se beneficiar do comportamento social. Mas sempre vai existir um ego&iacute;smo latente dentro de n&oacute;s que tenta nos fazer inferiores &agrave;s abelhas e formigas... um lugar obscuro em que o individuo se sobrep&otilde;e &agrave; comunidade.
</p><p>
  Essa &eacute; exatamente a parte que nos faz mais parecidos com aqueles que julgamos desprez&iacute;veis, e &eacute; esse o mal contra o qual temos todos de lutar.
</p><p>
 
</p>
<div id='sinlegend'>
<p>1. <a href='http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=922' target='_blank'>Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia Social  - A seguradora do trabalhador brasileiro - MPS</a></p>
<p>2. <a href='http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Nacional_de_Previd%C3%AAncia_Social' target='_blank'>Wikip&eacute;dia: Instituto Nacional de Previd&ecirc;ncia Social</a></p>
<p>3. <a href='http://pt.wikipedia.org/wiki/Aux%C3%ADlio-reclus%C3%A3o' target='_blank'>Wikip&eacute;dia: Aux&iacute;lio-Reclus&atilde;o</a></p>
<p>4. <a href='http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_ministros_da_Fazenda_do_Brasil' target='_blank'>Wikip&eacute;dia: Lista de ministros da Fazenda do Brasil</a></p>
<p>5. <a href='http://www.mpas.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22' target='_blank'>Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia Social - A seguradora do trabalhador brasileiro - MPS</a></p>
<p>6. Fazer diferente seria como se o banco de sua previd&ecirc;ncia privada ficasse com o seu dinheiro caso voc&ecirc; fosse preso ou morresse na pris&atilde;o!</p>
<p>7. Ou, em outras palavras, que tal tentar evitar que a fam&iacute;lia e os filhos sigam um mau caminho diante da desesperan&ccedil;a e total falta de condi&ccedil;&otilde;es de vida?</p>
<p>8. E a previd&ecirc;ncia urbana, onde esses aux&iacute;lios est&atilde;o inclu&iacute;dos, &ea ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Fri, 08 Apr 2011 17:20:21 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>O Banco que Nao Aceita Dinheiro</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=998</link>
            <description><![CDATA[<p>
H&aacute; algumas semanas estou passando por uma situa&ccedil;&atilde;o um tanto ins&oacute;lita.
</p><p>
Como uma forma de diversificar um pouco as aplica&ccedil;&otilde;es em minha m&atilde;e sem muito risco, aceitei a proposta da gerente de previd&ecirc;ncia do Bradesco, e resolvi tentar fazer um plano de previd&ecirc;ncia para ela com aporte &uacute;nico, como um fundo de investimento. A proposta parecia bastante interessante... se eu conseguisse aceit&aacute;-la.
</p><p>
Como assim, se eu conseguisse?
</p><p>
O fato &eacute; que, a despeito do dinheiro estar l&aacute;, na conta corrente, e de eu ter levado minha m&atilde;e por duas vezes para assinar toda a papelada, diante de 4 testemunhas, 2 delas do pr&oacute;prio banco, o banco insiste em criar dificuldades para que o investimento seja efetivado. &quot;Como assim?&quot; voc&ecirc; deve estar pensando. Simples.
</p><p>
O banco Bradesco desconfia tanto de seus clientes que nem com o cliente indo l&aacute;, pessoalmente, com testemunhas e assinando 300 pap&eacute;is diferentes, eles acreditam no que o cliente disse. E ligam na casa do cliente depois para confirmar.
</p><p>
Ocorre que, usualmente, quem lida com a parte banc&aacute;ria sou eu e, apesar de tudo que &eacute; feito em nome dela ser explicado para ela, ela n&atilde;o se sente confort&aacute;vel de passar dados pessoais dela e de autorizar coisas por telefone, algo perfeitamente compreens&iacute;vel para uma senhora de idade que j&aacute; recebeu in&uacute;meras liga&ccedil;&otilde;es de gente tentando vender coisa que ela n&atilde;o quer e at&eacute; mesmo algumas liga&ccedil;&otilde;es conhecidas como &quot;simula&ccedil;&atilde;o de sequestro&quot;, para arrancar dinheiro dos afoitos.
</p><p>
Pois bem. Que ligam do Bradesco e pedem para minha m&atilde;e confirmar as informa&ccedil;&otilde;es existentes. A mulher do banco passa as informa&ccedil;&otilde;es e minha m&atilde;e diz apenas 'hum-hum'. Ao final, a mulher diz: &quot;A senhora acaba de adquirir um plano de previd&ecirc;ncia xpto yzk com xxx taxa de carregamento, tributa&ccedil;&atilde;o do tipo yyy e zzz, kkk, jjj, lll&quot; (isso &eacute; como minha m&atilde;e ouve o que a mulher fala). &Eacute; claro que, como &eacute; esperado de algu&eacute;m que n&atilde;o quer ser feito de trouxa, segue o seguinte di&aacute;logo:
</p><p>
&nbsp;
</p><p>
- Mas eu n&atilde;o quero adquirir nada!
</p><p>
- Mas a senhora j&aacute; adquiriu!
</p><p>
- Mas eu n&atilde;o quero adquirir nada!
</p><p>
- Bem, ent&atilde;o a senhora fale com a sua gerente de previd&ecirc;ncia depois.
</p><p>
&nbsp;
</p><p>
Me contando essa hist&oacute;ria, primeiro eu fiquei bravo, porque era uma liga&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima e, em princ&iacute;pio, na minha cabe&ccedil;a, ela deveria ter confirmado. Mas depois eu pedi desculpas a ela e ri, e disse a ela que, na d&uacute;vida &eacute; melhor negar, mesmo.
</p><p>
Escrevi um e-mail para a gerente, pedindo que agendassem a tal liga&ccedil;&atilde;o em um hor&aacute;rio em que eu estivesse em casa, de maneira que, com a anu&ecirc;ncia de minha m&atilde;e, eu pudesse responder por ela ao telefone. Pois que ligam hoje de manh&atilde;, o que fico sabendo apenas h&aacute; pouco, j&aacute; no hor&aacute;rio do almo&ccedil;o.
</p><p>
&nbsp;
</p><p>
- Poxa m&atilde;e, e o que voc&ecirc; disse?
</p><p>
- Eu disse que eles tinham que falar com voc&ecirc;, que eu n&atilde;o ia autorizar.
</p><p>
- E o que eles disseram?
</p><p>
- O rapaz disse que, para que voc&ecirc; possa responder por mim, precisamos ir ao banco e fornecer uma autoriza&ccedil;&atilde;o.
</p><p>
&nbsp;
</p><p>
Isso me deixou passado; primeiro porque a conta dela &eacute; conjunta comigo. Em segundo porque, em outra ocasi&atilde;o, eu j&aacute; autorizei coisas pra ela. Em terceiro porque a garantia de ser ela ao telefone &eacute; nenhuma, dado que sempre h&aacute; outras mulheres com ela em casa... e, pra finalizar, se a liga&ccedil;&atilde;o considera que *ela* pode responder e, no momento da liga&ccedil;&atilde;o, *ela* diz, na grava&ccedil;&atilde;o, que vai passar para que o filho dela responda, que raios de autoriza&ccedil;&atilde;o no papel eu tenho que fornecer no banco? Se autoriza&ccedil;&atilde;o em papel no banco resolve, porque raios a assinatura dela no papel da abertura da previd&ecirc;ncia n&atilde;o serve, e ela precisa confirmar por telefone?
</p><p>
N&atilde;o h&aacute; explica&ccedil;&atilde;o. A &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel &eacute; que, se n&atilde;o derem uma solu&ccedil;&atilde;o rapidinho, vou levar o investimento para a previd&ecirc;ncia de outro banco... afinal, se &eacute; essa complica&ccedil;&atilde;o para <strong>colocar</strong> o dinheiro, imaginem para <strong>retirar</strong>!
</p><p>
&Eacute; cada uma que me aparece...
</p>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Tue, 22 Mar 2011 15:08:39 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Sucesso</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=997</link>
            <description><![CDATA[<p>
Baseado em um romance de Ignacio de Loyola Brand&atilde;o, com roteiro de Charlie Kaufman e dirigido por Stanley Kubrick, &quot;Sucesso&quot; descreve um mundo de realidade fant&aacute;stica em que as pessoas buscam sofregamente atingir o sucesso, de todas as maneiras imagin&aacute;veis, racionais ou irracionais.
</p><p>
A hist&oacute;ria &eacute; focada no jovem Edu Rath, cuja busca pelo sucesso representa a busca de todos os personagens do filme, com exce&ccedil;&atilde;o da jovem Yendi. A trama se inicia quando Edu &eacute; admitido para trabalhar em uma grande multinacional, com amplas possibilidades de ascens&atilde;o. Apesar disso, a primeira atitude de Edu &eacute; procurar um novo emprego.
</p><p>
N&atilde;o demora muito e Edu &eacute; admitido em uma outra empresa, ainda maior e com mais possibilidades, mas sua busca n&atilde;o termina a&iacute; e ele, mais uma vez, inicia sua longa busca por uma nova oportunidade em uma outra empresa. O foco da hist&oacute;ria se desloca para a vida pessoal de Edu, mas as constantes mudan&ccedil;as de emprego permanecem como pano de fundo e, em determinado momento, o personagem faz a surpreendente revela&ccedil;&atilde;o de que sucesso profissional &eacute;, neste bizarro universo alternativo, trocar de emprego antes que o emprego troque de voc&ecirc;.
</p><p>
A vida pessoal de Edu, por sua vez, &eacute; marcada por constantes altos e baixos; isso &eacute; representado pelos per&iacute;odos do in&iacute;cio do m&ecirc;s, em que ele gasta todo seu sal&aacute;rio em compras, e em per&iacute;odos em que ele se deixa levar pela depress&atilde;o, jogado no sof&aacute;, pr&oacute;ximo ao final do m&ecirc;s, quando j&aacute; n&atilde;o tem mais dinheiro e o cart&atilde;o de cr&eacute;dito estourou o limite.
</p><p>
Em certo momento da hist&oacute;ria, o personagem Edu tem sua personalidade contraposta &agrave; de Yendi, a &uacute;nica pessoa de todo o universo paralelo que est&aacute; satisfeita com seu emprego e com aquilo que j&aacute; possui: tudo que ela deseja &eacute; uma aposentadoria tranquila. Discutindo com sua amiga, Edu tenta convenc&ecirc;-la de viver mais, argumentando que n&atilde;o se deve viver com medo do amanh&atilde;, &quot;aproveite melhor a vida, viva o agora!&quot;.
</p><p>
Representando a mentalidade &quot;do contra&quot;, Yendi &eacute; a &uacute;nica personagem que se revolta contra o <EM>status-quo</EM> e encontra conforto na estabilidade; entretanto, sua presen&ccedil;a &eacute; recha&ccedil;ada pelo restante das pessoas, j&aacute; que neste bizarro universo &eacute; inconceb&iacute;vel para as demais pessoas que algu&eacute;m queira permanecer por toda a vida em fun&ccedil;&otilde;es como caixa de banco ou dona de casa. Em um momento de profuda tens&atilde;o, Edu critica Yendi histericamente, questionando-a &quot;como &eacute; poss&iacute;vel que algu&eacute;m n&atilde;o queira se tornar gerente... presidente do banco?&quot;.
</p><p>
No conjunto, a obra transmite a id&eacute;ia de um mundo tresloucado em que as pessoas s&atilde;o viciadas pela sensa&ccedil;&atilde;o de sucesso. Como a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; ef&ecirc;mera e n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ascender indefinidamente, o universo da hist&oacute;ria conspira para que as pessoas acabem por provocar seu pr&oacute;prio fracasso para que, em seguida, voltem a ascender e acalmar seu v&iacute;cio.
</p><p>
Embora nem todos reconhe&ccedil;am sua grandeza, obras assim s&atilde;o essenciais para que sejamos humildes e agrade&ccedil;amos, todos os dias, por n&atilde;o vivermos em um mundo assim.
</p><p>
 
</p><p>
<em>Daniel Caetano</em>
</p>
<div id='sinlegend'>
<p>Esta &eacute; uma obra de fic&ccedil;&atilde;o. A obra analisada n&atilde;o existe e, portanto, n&atilde;o foi escrita pelos supracitados autores. A escolha de nome de autores &eacute; simplesmente uma homenagem &agrave;queles que, cada um &agrave; sua moda, brindam seus p&uacute;blicos com obras surpreendentes e que criticam a sociedade atrav&eacute;s do inesperado.
</p>
</div>
]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Thu, 17 Mar 2011 16:30:05 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>O Humilde Legado de Seu Joao</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=996</link>
            <description><![CDATA[<P>
Seu Jo&atilde;o era pobre. De bolso e de esp&iacute;rito.
</P><P>
Certo dia, caminhando despreocupadamente pela rua, deu o &uacute;ltimo trago em seu cigarro e jogou a bituca no ch&atilde;o. Raramente ele se importava com o lugar onde a bituca era jogada, mas naquele dia ele observou um peda&ccedil;o de papel que parecia ser um jogo de loteria. Pegou, analisou e percebeu que era um jogo que correria no dia seguinte. Guardou-o no bolso e n&atilde;o pensou mais no assunto.
</P><P>
Dois dias depois, resolveu conferir o resultado e descobriu que havia ganho o pr&ecirc;mio mais alto - e sozinho. Do dia para a noite, se tornou um trilhard&aacute;rio. No bolso e no banco.
</P><P>
Logo que recebeu o pr&ecirc;mio tratou de ir &agrave; loja de carros. Ele, que a vida toda andara a p&eacute;! Chegou na concession&aacute;ria e, depois de passar alguns minutos analisando as alternativas, ignorou o desprezo do vendedor e falou: 
</P><P> 
</P><P>
- Quero levar aquele... agora.
</P><P>
- O Cooper?
</P><P>
- Isso. 
</P><P>
- Vai pagar como?
</P><P>
- &Agrave; vista. Em dinheiro. Como faz?
</P><P> 
</P><P>
Percebendo a oportunidade, o vendedor lhe perguntou, mostrando um outro carro mais luxuoso e caro:
</P><P> 
</P><P>
- Mas senhor, que tal levar esse outro?
</P><P>
- N&atilde;o, eu quero aquele. &Eacute; o que mais me interessa.
</P><P>
- H&aacute; outros mais potentes...
</P><P>
- N&atilde;o, esse amarelo est&aacute; bom.
</P><P> 
</P><P>
Durante o preenchimento da papelada, o vendedor, curioso para entender a escolha do cliente, reiniciou a conversa:
</P><P> 
</P><P>
- Senhor, a concession&aacute;ria gostaria de saber o que o levou a escolher esse modelo, de maneira que possamos atend&ecirc;-lo melhor no futuro.
</P><P>
- Ah, isso &eacute; simples. Escolhi ele - Cooper, n&eacute;? - porque, dentre os carros aqui da loja, ele &eacute; o mais feio, o menor e, pra ajudar, n&atilde;o &eacute; dos mais potentes e &eacute; um dos mais caros.
</P><P>
- Mas o senhor tem condi&ccedil;&atilde;o de comprar um carro melhor por esse mesmo pre&ccedil;o! - afirmou o vendedor, com uma interroga&ccedil;&atilde;o na cara.
</P><P>
- Mas esse &eacute; o ponto! Eu <STRONG>posso</STRONG> comprar esse.
</P><P> 
</P><P>
Saiu da loja, irritado por ter de esperar a documenta&ccedil;&atilde;o ser liberada, e entrou em uma empresa de seguro de sa&uacute;de. Foi logo atendido pelo corretor.
</P><P> 
</P><P>
- Boa tarde, senhor! Precisando de um novo seguro de sa&uacute;de?
</P><P>
- Sim.
</P><P>
- O senhor j&aacute; teve algum?
</P><P>
- N&atilde;o.
</P><P>
- Ah... Bem, aqui voc&ecirc; encontra os melhores pre&ccedil;os, com um &oacute;timo atendimento e cobertura!
</P><P>
- Melhores pre&ccedil;os?
</P><P>
- Sim, oferecemos o mesmo que a concorr&ecirc;ncia por um valor razoavelmente menor...
</P><P> 
</P><P>
Sem deixar o corretor terminar de falar, levantou-se e saiu. Como estava no centro da cidade, havia outros escrit&oacute;rios de empresas de seguro de sa&uacute;de. Entrou no segundo, que parecia ser o mais luxuoso e de bom gosto.
</P><P> 
</P><P>
- Boa tarde, senhor! Em que posso ajud&aacute;-lo?
</P><P>
- Eu gostaria de fazer um seguro de sa&uacute;de.
</P><P>
- Ah! Nos temos os melhores seguros de sa&uacute;de do mercado, com cobertura total, quarto privativo, com odaliscas, pagens, servimos uva rubi em sua estadia no hospital. Voc&ecirc; nem vai querer sair de l&aacute;.
</P><P>
- Hummm... Me parece bom. Mas e o pre&ccedil;o?
</P><P>
- Bem, nosso pre&ccedil;o &eacute; o mais alto da cidade.
</P><P>
- Hummm...
</P><P>
- Mas veja - continuou o corretor, ao perceber a hesita&ccedil;&atilde;o do cliente - a outra companhia que oferece seguros t&atilde;o bons quanto os nossos - e apontou um pr&eacute;dio do outro lado da rua - exige o cumprimento de car&ecirc;ncia. Aqui, sem nenhum adicional, voc&ecirc; tem cobertura total e imediata, incluindo doen&ccedil;as pr&eacute;-existentes...
</P><P> 
</P><P>
Sem esperar o corretor terminar de falar, ele se levantou e disse:
</P><P> 
</P><P>
- Ent&atilde;o eu vou comprar seguro de sa&uacute;de com o seu concorrente.
</P><P>
- Como assim, senhor?
</P><P>
- Sem car&ecirc;ncia n&atilde;o d&aacute;.
</P><P>
- Mas senhor, sem car&ecirc;ncia &eacute; melhor? Por que o senhor iria querer pagar o mesmo e ainda ter que cumprir per&iacute;odo de car&ecirc;ncia?
</P><P>&nbsp;
</P><P>
- Por qu&ecirc;? Porque eu <STRONG>posso</STRONG>!
</P><P>&nbsp;
</P><P>
Alguns dias depois recebeu uma liga&ccedil;&atilde;o da concession&aacute;ria e voltou &agrave; loja; a documenta&ccedil;&atilde;o estava pronta. Pegou o carro e saiu acelerando. Andou pela pequena cidade em que vivia durante algumas horas, e, ap&oacute;s cumprimentar a todos que conhecia - e outros que n&atilde;o conhecia, acelerou mais ainda e entrou com tudo em um muro, destruindo o carro e se ferindo gravemente.
</P><P>
No hospital, seu Jo&atilde;o leu satisfeito o jornal. Devido ao seu feito, seu Jo&atilde;o saiu no jornal de todo o pa&iacute;s, em uma foto ao lado do carro destru&iacute;do no inexplic&aacute;vel acidente. 
Ao sair do hospital, pagando todas as despesas do bolso, decidiu que um carro n&atilde;o era suficiente para si, e comprou uma frota de ca&ccedil;as F-18 para que pudesse ir tomar um caf&eacute; na Fran&ccedil;a, quando estivesse entediado. Mas isso n&atilde;o ocupou muito sua aten&ccedil;&atilde;o e logo decidiu que queria investir no futuro do pa&iacute;s. Assim, comprou uma empresa de engenharia e construiu o pr&eacute;dio mais alto do mundo, comprando para si mesmo todos os andares.
</P><P>
Alguns dias depois da inaugura&ccedil;&atilde;o, em que todos da cidade foram convidados, al&eacute;m de muitos pol&iacute;ticos e jornalistas do mundo inteiro, seu Jo&atilde;o resolveu reformar o pr&eacute;dio. Comandou sua equipe de engenharia que projetasse um controle especial para sua frota de F-18 e mandou que todos eles colidissem com a torre do edif&iacute;cio ao mesmo tempo, causando a mais espetacular implos&atilde;o da hist&oacute;ria conhecida. Satisfeito, acompanhou nos jornais dos dias seguintes a repercuss&atilde;o de seu feito. Quando perguntado sobre as raz&otilde;es do gesto, se era algum protesto, se ele tinha novos planos para a sua pacata cidade, ele se limitava a responder:
</P><P> 
</P><P>
- Eu fiz porque eu <STRONG>posso</STRONG>!
</P><P> 
</P><P>
O tempo foi passando e essas coisas pequenas j&aacute; n&atilde;o mais causavam emo&ccedil;&atilde;o em seu Jo&atilde;o. Foi ent&atilde;o que ele decidiu ir at&eacute; o banco, ingressou como investidor da bolsa e resolveu mudar o mundo: comprou todas as a&ccedil;&otilde;es de todas as empresas de petr&oacute;leo e energia.
</P><P>
Em seu primeiro dia como presidente universal da energia do mundo, se reuniu com os acionistas e divulgou a not&iacute;cia bomb&aacute;stica: iria unir todo o conglomerado em uma &uacute;nica empresa, chamada Ensejo, a empresa de Energia do Seu Jo&atilde;o. Estupefatos, os diretores e conselheiros quiseram saber a raz&atilde;o daquela atitude, que modificaria o mundo de maneira significativa. Como j&aacute; era de praxe, seu Jo&atilde;o deu um sorriso e respondeu:
</P><P> 
</P><P>
- Porque eu <STRONG>posso</STRONG>!
</P><P>&nbsp;
</P><P>
O tempo foi passando, a nova empresa foi tomando forma e, ap&oacute;s muitos anos, quando todos imaginavam que seu Jo&atilde;o havia cansado de suas excentricidades, todos se viram surpresos novamente. Um dia o mundo amanheceu sem energia el&eacute;trica. Com o passar dos dias, o estoque de combust&iacute;vel dos postos de combust&iacute;vel se esgotou e ningu&eacute;m mais se locomovia ou se comunicava por longas dist&acirc;ncias. Muitas pessoas voltaram a &quot;dormir com as galinhas&quot;... mas muitas outras se revoltaram. Seu Jo&atilde;o tinha fechado a Ensejo, para sempre.
</P><P>
Reunindo-se nos maiores est&aacute;dios em cada cidade, a popula&ccedil;&atilde;o do mundo inteiro preparou uma lista de reivindica&ccedil;&otilde;es. Durante dias deliberaram e, finalmente, chegaram &agrave; conclus&atilde;o que algo mais incisivo precisava ser feito. Sendo assim, todos se dirigiram para a sede da Ensejo, na pequena e pacata cidade em que vivia seu Jo&atilde;o. Dispostos a tudo, pararam estupefatos diante da recep&ccedil;&atilde;o da empresa, onde se lia, em um <EM>outdoor</EM>, em letras garrafais:
</P><P> 
</P><P>
- Eu j&aacute; n&atilde;o disse que eu <STRONG>posso</STRONG>?
</P><P> 
</P><P>
Muitos anos depois, seu Jo&atilde;o encontrou o descanso eterno, com a certeza de ter feito tudo que podia para demonstrar o quanto era melhor que os outros, deixando um grande legado n&atilde;o apenas para seus herdeiros, mas para toda a humanidade.
</P><P> 
</P><P><EM>Daniel Caetano</EM></P>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Thu, 24 Feb 2011 17:06:38 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Simplesmente Inviavel!</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=995</link>
            <description><![CDATA[<P>Eu pensava conhecer o conceito de invi&aacute;vel. J&aacute; havia experimentado a inviabilidade em diversas situa&ccedil;&otilde;es, mas a vida sempre vem e mostra que o fundo do po&ccedil;o tem um al&ccedil;ap&atilde;o.
</P><P>
Em uma singela disciplina de um dos cursos que ministro, a pessoa que elaborou o plano de ensino simplesmente exagerou na dose e na hora do rem&eacute;dio. S&oacute; para usar uma analogia, aos que s&atilde;o da &aacute;rea de exatas, imaginem que voc&ecirc;s tivessem descoberto que teriam de dar aula de C&aacute;lculo Diferencial e Integral para crian&ccedil;as da 2a. s&eacute;rie do ensino b&aacute;sico. Isso, aquelas que mal sabem o que &eacute; soma e subtra&ccedil;&atilde;o com palitinhos. Pois &eacute;. Essa foi a minha surpresa inicial.
</P><P>
Mas a segunda surpresa veio quando eu olhei o plano de aulas, a coisa se mostrou muito... MUITO pior... Imaginem, nessa situa&ccedil;&atilde;o acima, o seguinte plano, considerando aulas de 200 minutos e alunos da 2a. s&eacute;rie do ensino <STRONG>b&aacute;sico</STRONG>:
</P><P> 
</P><P>
Aula 01: Revis&atilde;o de Trigonometria
</P><P>
Aula 02: Limites
</P><P>
Aula 03: Derivadas
</P><P>
Aula 04: Limites com L'Hospital
</P><P>
Aula 05: Derivadas Parciais
</P><P>
Aula 06: Superf&iacute;cies de Revolu&ccedil;&atilde;o
</P><P>
Aula 07: Integrais
</P><P>
Aula 08: Integrais Duplas
</P><P>
Aula 09: Integrais Triplas
</P><P>
Aula 09: Teorema de Gauss
</P><P>
Aula 10: Teorema de Stokes
</P><P>
Aula 11: Integra&ccedil;&otilde;es Num&eacute;ricas
</P><P>
Aula 12: No&ccedil;&atilde;o de S&eacute;ries
</P><P>
Aula 13: S&eacute;rie de Fourrier
</P><P>
Aula 14: Equa&ccedil;&otilde;es Diferenciais Homog&ecirc;neas de Segunda Ordem 
</P><P>
Aula 15: Sistemas de Equa&ccedil;&otilde;es Diferenciais
</P><P>
Aula 16: Revis&atilde;o Geral
</P><P> 
</P><P>
Pois &eacute;. Quem, algum dia, estudou tudo isso em quatro mat&eacute;rias da faculdade, depois de todo o ensino fundamental e m&eacute;dio, com 200 minutos por semana em cada uma das mat&eacute;rias, ter&aacute; como imaginar como eu estou me sentindo ao tentar ensinar tudo isso em uma &uacute;nica mat&eacute;ria de 200 minutos por semana para alunos do 2o. ano do ensino b&aacute;sico.
</P><P>
&Eacute; claro que a mat&eacute;ria n&atilde;o &eacute; c&aacute;lculo. Mas garanto que a analogia que eu fiz &eacute; perfeita.
</P><P>
E, supostamente, eu tenho que concordar com esse plano de aulas!
</P>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Thu, 24 Feb 2011 02:51:39 -0300</pubDate>
        </item>
    </channel>
</rss>

