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        <title>PECADO</title>
        <description><![CDATA[Personal Catalogued Dossie]]></description>
        <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/</link>
        <lastBuildDate>Sun, 07 Mar 2010 12:15:03 -0300</lastBuildDate>
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            <title>Fudeba logo</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/</link>
            <description><![CDATA[Feed provided by Daniel Caetano. Click to visit.]]></description>
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        <item>
            <title>Um Retrato da Depressao</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=968</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/depressao1.jpg' CLASS='fr'>
<P>
Uma querida conhecida est&aacute; passando por uma situa&ccedil;&atilde;o muito dif&iacute;cil e, em uma longa conversa com ela, eu tive oportunidade de relembrar um dos momentos mais dif&iacute;ceis da minha vida. N&atilde;o sei quantos de voc&ecirc;s que me leem j&aacute; passaram pela incomensuravelmente dolorosa experi&ecirc;ncia da depress&atilde;o, mas espero que bem poucos de voc&ecirc;s tenham passado por isso... ou venham a passar.
</P><P>
N&atilde;o &eacute; uma lembran&ccedil;a que me traga qualquer tipo de sensa&ccedil;&atilde;o ruim; em parte, at&eacute; pelo contr&aacute;rio. Por quase dois anos eu travei uma luta infinita com a depress&atilde;o e, sozinho, quase perdi a batalha para sempre. Tinha muito a agradecer ao m&eacute;dico que me ajudou a cur&aacute;-la, n&atilde;o tivesse ele feito o que fez com meu pai, eximindo-se da responsabilidade de trat&aacute;-lo quando surgiram os primeiros sinais do diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer.
</P><P>
Mas... defeitos todos temos. A contribui&ccedil;&atilde;o dele para minha vida, por&eacute;m, foi digna de nota e, assim, h&aacute; gratid&atilde;o. Se s&atilde;o as pessoas especiais que nos ensinam como viver, ele foi uma delas. Houve uma pessoa em minha vida que me mostrou um caminho para a mente, o corpo e a alma. E ele me mostrou que as coisas tinham de ser ainda um pouco diferentes do que eu havia imaginado.
</P><P>
O que aprendi com essas pessoas e com a experi&ecirc;ncia - isto &eacute;, quebrando a cara - &eacute; que a nossa vida &eacute; como um rio. Ainda que algumas pessoas pensem que o rio n&atilde;o tem um prop&oacute;sito espec&iacute;fico, na verdade ele tem o prop&oacute;sito que n&oacute;s lhe atribu&iacute;mos. Com a nossa vida &eacute; a mesma coisa: n&oacute;s atribu&iacute;mos um sentido &agrave; ela, seja quando escolhemos nossa profiss&atilde;o, quando escolhemos uma namorada ou esposa, quando escolhemos uma vida de viagens ou enraizada<SUP>1</SUP>.
</P><P>
Cada pessoa faz o que bem entende com seu rio. Algumas pessoas escolhem construir uma represa, cultivar animais aqu&aacute;ticos... algumas resolvem at&eacute; murar seu rio. H&aacute;, ainda, pessoas que decidem que seu rio serve para aplacar a sede de outrem. Cada uma dessas escolhas tem suas beneces e seus perigos e n&atilde;o h&aacute;, em princ&iacute;pio, como falar em &quot;melhor&quot; ou &quot;pior&quot;, &quot;certo&quot; ou &quot;errado&quot;. H&aacute; apenas &quot;diferente&quot;.
</P><P>
Hoje falarei sobre as pessoas que decidem que seu rio, sua vida, ser&aacute; uma vida de doa&ccedil;&atilde;o, ou seja, pessoas que colocam o bem-estar alheio acima do pr&oacute;prio, independente de ela conseguir o resultado que deseja - ajudar efetivamente - ou n&atilde;o. Ningu&eacute;m precisa ser padre/freira ou ter uma entidade beneficente para ter uma vida de doa&ccedil;&atilde;o.
</P><P>
O fato &eacute; que essas pessoas possuem uma tend&ecirc;ncia natural de darem cada simples gota de energia de seu corpo e de sua alma, seja naquilo que fazem, envolvendo pessoas ou n&atilde;o. Essas pessoas se sentem bem com isso, com o fato de proporcionarem bem estar, de ajudarem algu&eacute;m, ainda que na maioria das vezes n&atilde;o haja reconhecimento algum - o objetivo n&atilde;o &eacute; obter reconhecimento, &eacute; se sentir parte do processo.
</P>
<IMG SRC='files/depressao2.jpg' CLASS='fl'>
<P>
O problema &eacute; que todo rio tem uma capacidade m&aacute;xima para a tomada de &aacute;gua, isto &eacute;, existe um limite para a quantidade de &aacute;gua que se pode retirar de um rio sem comprometer sua perenidade, sem comprometer sua vida. Quando um rio &eacute; muito exigido, quando &eacute; retirada &aacute;gua al&eacute;m de sua capacidade, seu ciclo de vida &eacute; alterado, mudan&ccedil;as ocorrem nele e em seu entorno, que levam fatalmente ao esgotamento da capacidade do mesmo, podendo at&eacute; secar a nascente.
</P><P>
A analogia com os seres humanos &eacute; direta. Existe um limite para o quanto podemos &quot;nos doar&quot;, ainda que queiramos muito fazer o bem aos outros. Sentir que est&aacute; fazendo o certo n&atilde;o &eacute; garantia da perenidade, assim como matar a sede da crian&ccedil;a hoje n&atilde;o significa que ser&aacute; poss&iacute;vel repetir o feito amanh&atilde;. A nascente pode ter secado at&eacute; l&aacute;, se os cuidados devidos n&atilde;o forem tomados.
</P><P>
Se controlado, um indiv&iacute;duo pode ter uma vida dedicada &agrave;quilo que lhe faz bem. Descontrolado, por&eacute;m, suas energias se v&atilde;o, rapidamente, e, no final, ele ter&aacute; conseguido fazer muito menos do que seria poss&iacute;vel se tivesse mantido o controle. Isso n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil de ver; &eacute; comum que o limite seja transgredido e, com o tempo, as altera&ccedil;&otilde;es no ambiente come&ccedil;am a ser notadas. As altera&ccedil;&otilde;es causam um ciclo vicioso que empurram a nascente ainda mais rapidamente para sua extin&ccedil;&atilde;o. E isso acontece conosco tamb&eacute;m. A exaust&atilde;o emocional pode causar o estado conhecido como <STRONG>depress&atilde;o</STRONG>, que &eacute; um ciclo vicioso do qual &eacute; muito, muito dif&iacute;cil sair.
</P><P>
Erroneamente, no meu entender, muitos descrevem a depress&atilde;o como uma tristeza profunda. Eu n&atilde;o a descreveria assim. A tristeza profunda existe, mas ela &eacute; apenas uma consequ&ecirc;ncia: a depress&atilde;o &eacute; como se o inferno se instalasse em sua alma. Voc&ecirc; se torna parte do inferno e o sofrimento &eacute; incomensur&aacute;vel. Aquilo que seria besteira em qualquer outra situa&ccedil;&atilde;o se torna uma t&aacute;bua de m&aacute;rmore fervente na qual voc&ecirc; precisa se deitar. E, apesar disso, voc&ecirc; n&atilde;o consegue ver raz&atilde;o para n&atilde;o faz&ecirc;-lo. N&atilde;o &eacute; que n&atilde;o parece haver alternativas... &eacute; que todas as alternativas parecem igualmente despropositadas e sofridas.
</P><P>
Toda a capacidade de dicernimento sobre o que &eacute; uma boa dire&ccedil;&atilde;o para a sua vida... se perde. Todos os caminhos s&atilde;o de chamas e dor, tudo &eacute; tristeza e o mundo que voc&ecirc; v&ecirc; reflete isso. Voc&ecirc; <STRONG>est&aacute;</STRONG> isso e o mundo se torna um grande espelho.
</P><P>
Cada pessoa precisa encontrar for&ccedil;as para caminhar; a parte mais dif&iacute;cil &eacute; saber, no &iacute;ntimo, que estamos vivendo em uma &quot;Evil Matrix&quot;, que aquilo n&atilde;o &eacute; o mundo de verdade e que, apesar de n&atilde;o parecer haver sa&iacute;da, ela existe <STRONG>sim</STRONG>. E o caminho para ela &eacute; o caminho que escolhermos se quisermos sair, seja ele qual for, desde que o mantenhamos at&eacute; o fim. Quando chegarmos bem perto da borda da &quot;bolha&quot; em que estamos vivendo, ser&aacute; poss&iacute;vel ver l&aacute; fora, e entender do que &eacute; feita... e assim ter condi&ccedil;&otilde;es de sair.
</P><P>
O caminho, entretanto, &eacute; &aacute;rido. Cheio de sentimentos de dor e sem referenciais. &Eacute; como andar por um deserto, ap&oacute;s uma duna vem sempre outra duna... e aquilo parece que nunca vai acabar. E se n&atilde;o mantivermos a dire&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o vai mesmo! &Eacute; preciso manter a dire&ccedil;&atilde;o pois s&oacute; assim, em algum momento, alcan&ccedil;aremos a borda do deserto. Essa &eacute; a parte mais dif&iacute;cil, pois o processo pode demorar anos - talvez boa parte da vida - e n&atilde;o h&aacute; qualquer tipo de indica&ccedil;&atilde;o de progresso, n&atilde;o h&aacute; qualquer motiva&ccedil;&atilde;o, nada.
</P><P>
Por essa raz&atilde;o, os medicamentos s&atilde;o uma faca de dois gumes. Por um lado, eles permitem que se tenha uma vis&atilde;o um pouco mais &quot;limpa&quot; do mundo real - no fundo eles agem como filtros para a nossa mente, permitindo que notemos algum progresso e nos mantendo mais animados. Por outro lado, eles podem fazer com que a pessoa se disperse e n&atilde;o veja motivos para parar de vagar pelo deserto, para sempre, caindo num processo de depend&ecirc;ncia.
</P><P>
Assim como quem quebra uma perna precisa de uma muleta para caminhar, quando a nossa situa&ccedil;&atilde;o emocional &eacute; &quot;feia&quot;, pode ser que precisemos da medica&ccedil;&atilde;o. Mas, assim como ningu&eacute;m quer andar de muleta para sempre, &eacute; preciso ter no&ccedil;&atilde;o <STRONG>clara</STRONG> de que temos de achar nosso caminho para que n&atilde;o precisemos mais de medicamentos<SUP>2</SUP>.
</P>
<IMG SRC='files/depressao3.jpg' CLASS='fr'>
<P>
&Eacute; preciso ter esse desejo racional e bem arraigado, porque estes rem&eacute;dios afetam nossa capacidade de avalia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m. Se o efeito depressivo nos faz ver tudo horr&iacute;vel, eles t&ecirc;m uma tend&ecirc;ncia a nos fazer ver tudo &quot;bom&quot;. E isso pode ser ainda mais perigoso, porque a falta de par&acirc;metro continua, mas tamb&eacute;m podem sumir o instinto de sobreviv&ecirc;ncia, o amor pr&oacute;prio e, com isso, criar uma situa&ccedil;&atilde;o ainda pior que a original. &Eacute; preciso muita responsabilidade para receitar tais medicamentos e, ainda mais, para tom&aacute;-los.
</P><P>
Eu passei por isso do meio de 2003 at&eacute; o in&iacute;cio de 2005; consumi medicamentos do meio de 2004 at&eacute; o fim de 2004, quando juntamente com o m&eacute;dico decidi que j&aacute; tinha for&ccedil;as para continuar adiante mesmo sem ainda ver a luz no fim do tunel. Foi um momento dif&iacute;cil, onde as pessoas de fora n&atilde;o podiam me ajudar e preferia ter podido estar longe delas, para n&atilde;o t&ecirc;-las machucado.
</P><P>
Apesar de todas estas lembran&ccedil;as dif&iacute;ceis, eu fico feliz de poder olhar para tr&aacute;s e ver que eu superei tudo isso. E serei eternamente grato &agrave; for&ccedil;a de uma  ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Sun, 07 Mar 2010 19:39:02 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Pensamentos</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=967</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/pensamento_impublicavel.jpg' CLASS='fl'>
<P>&Agrave;s vezes me encontro em mar revolto, envolvido nas ondas do tempo; ao sabor das correntes me abandono, pela mera curiosidade de saber onde irei me encontrar.
</P><P>
Nestes momentos uma avalanche atinge meus pensamentos, me alimenta de maneira inesperada, encurta as noites de sono, faz o tempo parar.
</P><P>
Minhas m&atilde;os se tornam pena e as letras s&atilde;o minha alma... necessidade de extravasar, drenar o mar. E tudo que se drena s&atilde;o pensamentos... completos, indiscretos, impublic&aacute;veis.
</P><P> 
</P><P>
<EM>Daniel Caetano</EM>
</P>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Sat, 06 Mar 2010 18:11:03 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Papo de Camarada</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=966</link>
            <description><![CDATA[<P><IMG SRC='files/olhar43.png'>
</P><P>&nbsp;
</P><P>- Vai, vai! A mina t&aacute; dando mole, cara!
</P><P>- Dando mole uma pin&oacute;ia, Z&eacute;.
</P><P>- T&aacute; sim, cara. Olha l&aacute;! Ela j&aacute; te olhou tr&ecirc;s vezes.
</P><P> 
</P><P>Rafael fez uma cara de quem n&atilde;o acredita no que est&aacute; ouvindo, olhou s&eacute;rio para a mulher em quest&atilde;o e respirou fundo. Baixando a cabe&ccedil;a e movendo-a de um lado para o outro em nega&ccedil;&atilde;o, pensou por tr&ecirc;s segundos e olhou s&eacute;rio para seu amigo.
</P><P> 
</P><P>- Ô animalzinho, ela n&atilde;o <STRONG>me</STRONG> olhou. Ela olhou <EM>pra c&aacute;</EM>. N&atilde;o percebe que tem um caminh&atilde;o de diferen&ccedil;a?
</P><P>- Percebo que voc&ecirc; vai furar de novo.
</P><P>- De onde voc&ecirc; tirou que ela t&aacute; afim? N&atilde;o t&ocirc; vendo um s&oacute; sinal.
</P><P>- Cara, ela olhou pra c&aacute; tr&ecirc;s vezes. <STRONG>TRÊS</STRONG> vezes.
</P><P>- Isso. Tr&ecirc;s vezes em tr&ecirc;s horas. Uma &oacute;tima m&eacute;dia.
</P><P>- Mas olha que gostosa! N&atilde;o vale uma investida?
</P><P>- Dinheiro na bolsa &eacute; investimento... isso &eacute; perda de tempo, pura e simples.
</P><P>- T&aacute;, t&aacute;... mas olha que rostinho! Ah, eu perdia um tempo com isso!
</P><P>- Rostinho? Cara, a mulher t&aacute; com cara de quem comeu rom&atilde; verde... provavelmente brigou com o namorado, no m&aacute;ximo t&aacute; querendo fazer ci&uacute;mes... e, se voc&ecirc; t&aacute; t&atilde;o a fim de perder tempo, por que n&atilde;o vai l&aacute;?
</P><P>- Porque ela t&aacute; olhando pra voc&ecirc;, n&atilde;o para mim.
</P><P> 
</P><P>De repente Rafael se sentiu em um dilema. Seus olhos perderam o foco e ele come&ccedil;ou a pensar no que estava acontecendo... E se ele estivesse amargo mesmo? E se a mo&ccedil;a estivesse dando mole e ele simplesmente brincando de avestruz? Uma por&ccedil;&atilde;o de interroga&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a aparecer sobre sua cabe&ccedil;a.
</P><P> 
</P><P>- Ah&aacute;! Eu conhe&ccedil;o essa cara. Voc&ecirc; est&aacute; em d&uacute;vida.
</P><P> 
</P><P>Rafael focou lentamente o olhar em seu amigo e viu ele ali, vermelho, rabo pontudo, chifres, e o copo de cerveja j&aacute; se transformara num afiado tridente em sua m&atilde;o.
</P><P> 
</P><P>- Z&eacute;, me deixa em paz. Voc&ecirc; fica me tentando... s&oacute; quer ver eu quebrar a cara pra depois ter hist&oacute;ria pra contar. Faz tempo que n&atilde;o levo fora... e t&aacute; &oacute;timo assim.
</P><P>- &Eacute;, &eacute; verdade. Voc&ecirc; n&atilde;o vai sempre, mas quando vai... cata.
</P><P>- Isso, e est&aacute; &oacute;timo assim. &Eacute; assim que eu gosto.
</P><P>- Faz assim n&atilde;o, cara. Voc&ecirc; t&aacute; tratando caviar como arroz com feij&atilde;o.
</P><P> 
</P><P>A cada conversa mole, a cada compara&ccedil;&atilde;o absurda que Z&eacute; fazia, Rafael se repetia a pergunta cl&aacute;ssica: por que ele ainda sa&iacute;a com esse cara?
</P><P> 
</P><P>- Z&eacute;, &eacute; por isso que voc&ecirc; s&oacute; se dana. Que tipo de compara&ccedil;&atilde;o &eacute; essa?
</P><P>- Ah, cara... n&atilde;o gosto de ver um amigo deixar uma mulher dessas passar em branco.
</P><P>- Voc&ecirc; n&atilde;o vai me dar paz... n&atilde;o vai me deixar beber minha cerveja... enquanto eu n&atilde;o for l&aacute; falar com ela, n&eacute;?
</P><P>- Agora voc&ecirc; pegou a id&eacute;ia.
</P><P> 
</P><P>Respirando fundo, Rafael levantou-se e caminhou na dire&ccedil;&atilde;o oposta &agrave; da garota... e desapareceu em meio &agrave; multid&atilde;o. O Z&eacute; ficou olhando meio at&ocirc;nito, pensando que teria de voltar a p&eacute; pra casa. Pediu mais uma bebida e ficou contemplando &quot;a paisagem&quot;, como costuma chamar. Como quem n&atilde;o queria nada, olhou novamente para o lado da mulher que tinha sido o assunto da noite e, surpreendendo-se, viu Rafael ao lado dela.
</P><P> 
</P><P>Ele pareceu pedir alguma informa&ccedil;&atilde;o e depois se sentou ao lado dela no bar. A conversa seguiu animada por um tempo, os dois se levantaram e foram para a pista. J&aacute; se sentindo um <EM>voyeur</EM>, Z&eacute; ainda &quot;pegou&quot; o momento em que os dois se beijaram e resolveu ir cuidar da pr&oacute;pria vida. 
</P><P> 
</P><P>Achou algu&eacute;m, dan&ccedil;ou, riu bastante, mas essa n&atilde;o era sua noite. N&atilde;o estava a fim de nada e, talvez, esse teria sido o motivo pelo qual estimulou tanto seu amigo. Depois de algum tempo, cansado, foi at&eacute; o bar e pegou uma tequila. J&aacute; estava batendo um papo animado com o barman quando sentiu uns tapinhas nas costas.
</P><P> 
</P><P>- Ent&atilde;o...
</P><P>- Ent&atilde;o...?
</P><P>- Valeu.
</P><P>- Disponha.
</P><P> 
</P><P><EM>Daniel Caetano</EM>
</P>
]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Wed, 03 Mar 2010 19:46:10 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Liberdade</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=965</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/correntes.jpg' CLASS='fr'>
<P>Quanto mais o tempo passa, mais percebo como a vida &eacute; din&acirc;mica, com diversas cadeias de acontecimentos paralelos que nos alentam e preocupam, em tantas situa&ccedil;&otilde;es distintas, incompar&aacute;veis, todas competindo por nossa aten&ccedil;&atilde;o.
</P><P>
Tenho a tend&ecirc;ncia de me prender a uma ou outra; talvez seja o comportamento natural humano. Mas me debato com isso, n&atilde;o aceito: a vida n&atilde;o &eacute; uma sequ&ecirc;ncia &uacute;nica de fatos encadeados. Somos como um elo compartilhado por muitas correntes, &agrave;s quais nos prendemos por vontade. Cada corrente, um desejo, um objetivo.
</P><P>
Em alguns momentos, o tempo puxa cada corrente para um lado diferente... e n&atilde;o conseguimos sair do lugar. As escolhas se tornam desafiadoras, mas os caminhos s&atilde;o claros: organiz&aacute;-las, abandon&aacute;-las ou rompermo-nos.
</P><P>
Organiz&aacute;-las significa aprender sobre cada um destes desejos aos quais nos prendemos, entender porque n&atilde;o est&atilde;o se movendo em conson&acirc;ncia e, se poss&iacute;vel, modificar alguma coisa - em geral em n&oacute;s mesmos - para que todas as correntes formem uma forte e &uacute;nica cordoalha, representante da convic&ccedil;&atilde;o do futuro que desejamos.
</P>
<IMG SRC='files/liberdade.jpg' CLASS='fl'>
<P>
Abandon&aacute;-las significa entender que nem sempre &eacute; poss&iacute;vel incluir todos os nossos objetivos em nossa vida, ao mesmo tempo, num dado instante. &Eacute; preciso saber abrir m&atilde;o daquela corrente que se recusa a se tornar uma com sua vida, ainda que num momento futuro pretendamos voltar a elas. Identificar essas correntes dissonantes exige uma profunda an&aacute;lise, nem sempre simples, mas perfeitamente poss&iacute;vel.
</P><P>
Rompermo-nos significa que n&atilde;o demos a devida aten&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; escolha das correntes que formam nosso caminho. As press&otilde;es foram t&atilde;o fortes, cada uma em sua dire&ccedil;&atilde;o, que acabamos nos expurgando de qualquer uma delas. Desconfort&aacute;vel, desagrad&aacute;vel e desnecess&aacute;rio. O caminho das escolhas estava l&aacute;, n&atilde;o era preciso nenhum tipo de ruptura. N&atilde;o era preciso deixar o tempo escolher por n&oacute;s.
</P><P>
Somos elo e escolhemos nossas correntes. Cada elo s&oacute; se liga a outro, e as correntes n&atilde;o esperam por ningu&eacute;m.
</P><P>
No fundo, &eacute; disso que se trata a liberdade.
</P>
]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Tue, 02 Mar 2010 17:41:05 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>The Greatest Strenght</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=964</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/darksamurai.jpg' CLASS='fr'>
<P>A cold breeze came through the mist,</P>
<P>The darkest horror uprises from amidst.</P>
<P>There was an insidious scent in the air, </P>
<P>An ominous feeling no one could bear.</P>
<P> </P>
<P>The confidence was his last resort,</P>
<P>And now there was no way to abort.</P>
<P>Almost no supplies inside his pack,</P>
<P>There wouldn't be a fucking way back.</P>
<P> </P>
<P>Temptation soaked his troubled mind,</P>
<P>Thrashing he awaits as invalid blind.</P>
<P>Arising from the mind's darkest grave,</P>
<P>A last drop of energy he should save.</P>
<P> </P>
<P>Anything else in this horrific life,</P>
<P>An stupid, deadly pointless strife.</P>
<P>Those fears follow those who endure,</P>
<P>Therefore persist they will for sure.</P>
<P> </P>
<P><EM>Daniel Caetano</EM></P>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Sun, 28 Feb 2010 18:00:15 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Debutante</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=963</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/mulherespelho.jpg' CLASS='fl'>
<P>Obrigado,</P>
<P>&nbsp;</P>
<P>Por ter tomado carv&atilde;o por diamante;</P>
<P>Por ter sentido como nunca antes;</P>
<P>Por ter levado uma vida adiante;</P>
<P>Por ter tornado os dias radiantes...</P>
<P>&nbsp;</P>
<P>Obrigado.</P>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Sat, 27 Feb 2010 02:31:44 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Acidentes</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=962</link>
            <description><![CDATA[<P>Fernanda n&atilde;o conseguia deixar de pensar no dia &quot;perfeito&quot; que estava tendo, n&atilde;o faltava mais nada. Ela estava ainda com um olhar perdido, incr&eacute;dulo, enquanto observava a porta do carro da frente se abrir e, de dentro, n&atilde;o parava de sair um sujeito louro e forte.</P>
</P><P>
Em sil&ecirc;ncio, observou o &quot;alem&atilde;o&quot; aproximar-se com cara de poucos amigos. N&atilde;o teve a menor vontade de se levantar ou sair do carro. O homem se debru&ccedil;ou na janela.
</P><P>
- E ent&atilde;o, senhorita... n&atilde;o quer ver a obra de arte?
</P><P>
Fernanda permaneceu muda. Queria dizer algo, mas n&atilde;o sabia o qu&ecirc;. E, aparentemente, se soubesse... tamb&eacute;m n&atilde;o conseguiria diz&ecirc;-lo. J&aacute; demonstrando sinais de muita impaci&ecirc;ncia, o homem continuou:
</P><P>
- Olha, &eacute; melhor a senhorita sair para ver o estrago, a gente combina como vai resolver o problema e seguimos com nossas vidas. Eu tenho mais o que fazer hoje e, sinceramente, n&atilde;o estava pensando em perder muito tempo por aqui.
</P><P>
Dizendo isso, abriu a porta e a convidou a sair de seu pr&oacute;prio carro. Fernanda olhou para o assustador gigante n&oacute;rdico e, meio que no autom&aacute;tico, saiu. Sua cabe&ccedil;a estava completamente perdida em devaneios, em todos aqueles problemas que tinha para resolver. N&atilde;o precisava de mais um, mas h&aacute; momentos em que n&atilde;o h&aacute; muita escolha.
</P><P>
Caminhou ao lado do homem e, mesmo sem muita vontade, observou com curiosidade o quadro dantesco que estava diante de ambos. O estrago tinha sido grande!
</P><P>
- &Eacute;, foi feia a coisa. N&atilde;o vai sair barato.
</P><P>
- Eu j&aacute; imaginava isso - respondeu contrariado o n&oacute;rdico.
</P><P>
- E provavelmente n&atilde;o vai ser r&aacute;pido tamb&eacute;m. &Eacute; poss&iacute;vel abrir m&atilde;o dele por algum tempo, n&atilde;o?
</P><P>
- Dado que o estrago j&aacute; est&aacute; feito, n&atilde;o temos muita alternativa. Quem vai fazer o servi&ccedil;o?
</P><P>
- Eu j&aacute; conhe&ccedil;o uma equipe legal. Trabalham direito. Fica como novo, nem d&aacute; pra perceber.
</P><P>
- Ah! &Oacute;timo!
</P><P>
Fernanda ficou em sil&ecirc;ncio por algum tempo e, por fim, perguntou:
</P><P>
- Mas como foi que isso aconteceu?
</P><P>
- &Eacute; sempre distra&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m, n&atilde;o? - Respondeu o homem com alguma displic&ecirc;ncia e irrita&ccedil;&atilde;o aparentes - As pessoas n&atilde;o prestam aten&ccedil;&atilde;o no que fazem e acabam destruindo o patrim&ocirc;nio alheio.
</P><P>
- Mas j&aacute; havia algum problema antes? Porque, assim, t&aacute; muito feio isso. N&atilde;o acredito que tenha ocorrido todo este estrago nesta &uacute;nica vez.
</P><P>
- Ah, n&atilde;o! - continuou o homem - j&aacute; tinha um ou outro probleminha. Por exemplo, aquele problema no canto da pintura j&aacute; estava l&aacute;. Esse risco tamb&eacute;m. E essa parte aqui &eacute; desbotada desde quando eu o vi a primeira vez.
</P><P>
- E voc&ecirc; vai querer que tudo seja consertado?
</P><P>
- Claro! J&aacute; que vai mexer, &eacute; melhor consertar tudo de uma vez.
</P><P>
Fernanda deu uma &uacute;ltima olhada mais de perto e, finalmente, disse:
</P><P>
- Ok, ent&atilde;o vamos fazer o que precisa ser feito. Como voc&ecirc; pretende pagar?
</P><P>
- Bem, dado que ele &eacute; propriedade do museu, acho que o museu cobrir&aacute; todos os custos. Voc&ecirc; n&atilde;o precisa se preocupar com isso. O importante &eacute; a qualidade do servi&ccedil;o realizado.
</P><P>
- &Oacute;timo. Vou providenciar que o servi&ccedil;o se inicie hoje mesmo.
</P><P>
Colocando o avariado quadro dentro de seu carro, Fernanda deu partida, ainda olhando para o curador, pensando que se sobrecarregaria para fazer mais essa restaura&ccedil;&atilde;o em um m&ecirc;s t&atilde;o atrapalhado... justo hoje que havia brigado com seu noivo. De qualquer forma, o dinheiro viria bem a calhar: poderia acertar, finalmente, todos os alugu&eacute;is atrasados.
</P><P>
<EM>Daniel Caetano</EM>
</P>
]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:13:44 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Sobre o Passado e o Presente</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=961</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/escolhas1.jpg' CLASS='fr'>
<P>
Penso que todas as pessoas, de alguma forma, reavaliem seu 
passado. Talvez n&atilde;o sempre, talvez n&atilde;o a toda hora, mas em
algum momento todos passam por uma fase de reavalia&ccedil;&atilde;o.
</P><P>
Quando ela ocorre, me parece comum que pendamos para uma
an&aacute;lise simplista de nossos &quot;erros&quot; e &quot;acertos&quot; do passado, muito
embora este caminho possa levar a muito sofrimento, ang&uacute;stias
e, se n&atilde;o bem resolvido, pode n&atilde;o ter resultados pr&aacute;ticos para
a nossa vida.
</P><P>
Tudo que aconteceu em nossa vida pode ser analisado de, no 
m&iacute;nimo, duas formas: como um acontecimento pontual, ou seja,
um evento cujo contexto de tempo &eacute; limitado a um curto per&iacute;odo, ou como um 
evento que faz parte de uma cadeia, cujo contexto &eacute; limitado
apenas pelo nosso tempo de vida.
</P><P>
An&aacute;lises do tipo &quot;certo&quot; e &quot;errado&quot; s&atilde;o, no meu entender, parte
da primeira categoria. Elas s&atilde;o relevantes mais para entendermos
sob quais circunt&acirc;ncias nos equivocamos, qual foi a informa&ccedil;&atilde;o
que nos faltou e que nos fez pisar fora do nosso suposto 
&quot;caminho correto&quot;. Isso tem uma relev&acirc;ncia fundamental, para 
que fiquemos mais atentos... n&atilde;o que n&atilde;o devamos mais fazer
o que fizemos, mas devemos atentar para n&atilde;o tomar mais decis&otilde;es
inadequadas quando faltarem as informa&ccedil;&otilde;es que descobrimos
serem relevantes para uma decis&atilde;o sensata.
</P><P>
Por outro lado, &eacute; preciso ter em mente que ningu&eacute;m deve se
martirizar eternamente por seus equ&iacute;vocos corriqueiros - categoria
da qual a maioria dos nossos &quot;erros&quot; faz parte. &Eacute; preciso 
compreender a import&acirc;ncia do contexto de nossas decis&otilde;es, de
nossas op&ccedil;&otilde;es. Sempre que decidimos um caminho, o escolhemos
na esperan&ccedil;a de que ele seja o melhor para n&oacute;s, de que ele nos
leve mais rapidamente para onde queremos chegar. &Eacute; claro, se ao
olhar para tr&aacute;s classificarmos uma escolha<SUP>1</SUP> como 
equivocada, teremos algo sobre o que pensar; entretanto, 
lembremo-nos de que &eacute; f&aacute;cil julgar <EM>a posteriori</EM>, dizer o que houve de errado, 
com todas as informa&ccedil;&otilde;es de porque aquele caminho n&atilde;o funcionou.
Isso n&atilde;o significa que naquele dado momento da vida t&iacute;nhamos
condi&ccedil;&otilde;es de ver as coisas como vemos hoje. Afinal, se v&iacute;ssemos,
talvez n&atilde;o tiv&eacute;ssemos feito as escolhas que fizemos.
</P><P>
Este tipo de an&aacute;lise de &quot;certo&quot; e &quot;errado&quot;, entretanto, pode nos
ofuscar com rela&ccedil;&atilde;o a um aspecto importante - t&atilde;o importante que
n&atilde;o podemos permitir que o percamos de vista: nossa vida n&atilde;o &eacute;
um momento, um ponto no espa&ccedil;o, desvinculado de todo o resto.
</P>
<IMG SRC='files/escolhas3.jpg' CLASS='fl'>
<P>
Nossas escolhas, tenham elas nos levado por caminhos agrad&aacute;veis
ou pedregosos, pavimentam o caminho de nossa vida e nos trazem ao
que somos no presente. Somos frutos de nossas op&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o-op&ccedil;&otilde;es,
daquilo que vivemos e sentimos. E isso faz de todas as nossas
escolhas uma esp&eacute;cie de d&aacute;diva<SUP>2</SUP>... ao menos se houvermos
aprendido com elas.
</P><P>
Embora muitas vezes tenhamos a sensa&ccedil;&atilde;o de que nosso caminho foi o
mais tortuoso poss&iacute;vel, tenho para mim, hoje, que isso n&atilde;o passa de
impress&atilde;o. Essa sensa&ccedil;&atilde;o parece vir do fato que sempre analisamos o
caminho trilhado &agrave; luz do lugar em que pensamos que gostar&iacute;amos de
estar, e n&atilde;o do lugar em que estamos naquele momento. Por mais
tortuoso que o caminho nos pare&ccedil;a, &eacute; importante ter em mente que ele
foi o mais reto e direto para o lugar exato em que estamos hoje,
em nossas pr&oacute;prias vidas e em nosso processo de maturidade. N&atilde;o &eacute;
poss&iacute;vel &quot;pular etapas&quot; em nosso desenvolvimento pessoal.
</P><P>
Quando pensamos em nosso caminho, &eacute; f&aacute;cil cair na armadilha de pensar
que n&atilde;o estamos onde quer&iacute;amos estar e que, portanto, nossas escolhas
foram todas &quot;erradas&quot;. &Eacute; uma armadilha cuja isca s&atilde;o as insatisfa&ccedil;&otilde;es
moment&acirc;neas e cotidianas, mas que devemos evitar. Nossas insatisfa&ccedil;&otilde;es
t&ecirc;m, possivelemente, muito mais a ver com o caminho que ainda temos a percorrer
do que com aquele que j&aacute; percorremos.
</P><P>
Muitas vezes nos vemos pensando que o que t&iacute;nhamos no passado era 
melhor do que o que temos hoje, mas, na maioria dos casos, isso &eacute;
simplesmente ilus&atilde;o. Pensamos que &eacute;ramos felizes e que se mud&aacute;ssemos
algo naquele passado, se tiv&eacute;ssemos deixado de dizer algo, se tiv&eacute;ssemos feito algo...
tudo seria diferente e muito melhor. No fundo, o que estamos querendo
fazer &eacute; &quot;consertar&quot; algo que julgamos um equ&iacute;voco. Independente do
julgamento objetivo de &quot;certo&quot; e &quot;errado&quot;, podemos avaliar nossas 
a&ccedil;&otilde;es do passado &agrave; luz das seguintes premissas: 
</P><OL>
<LI>Fizemos o que nos parecia mais correto e acertado;</LI>
<LI>O que fizemos nos trouxe ao que somos hoje;</LI>
<LI>Por constru&ccedil;&atilde;o, ningu&eacute;m saud&aacute;vel regride<SUP>3</SUP>.</LI>
</OL>
<IMG SRC='files/escolhas2.jpg' CLASS='fr'>
<P>
Fazendo estas considera&ccedil;&otilde;es, embora <EM>nos pare&ccedil;a</EM> que est&aacute;vamos
melhor naquele passado, n&atilde;o est&aacute;vamos. Tanto &eacute; que tomamos o caminho
que, supostamente, era o equivocado. A pr&oacute;pria an&aacute;lise do poss&iacute;vel
equ&iacute;voco revela que hoje estamos mais estruturados, em uma posi&ccedil;&atilde;o
em que conseguimos ver as consequ&ecirc;ncias que naquele dado momento n&atilde;o
nos eram vis&iacute;veis. Podemos n&atilde;o estar no topo da montanha, mas estamos
em uma regi&atilde;o mais elevada do que antes. E posi&ccedil;&otilde;es mais elevadas,
em geral, nos permitem ver um pouco mais adiante, embora nem sempre
seja f&aacute;cil perceber isso.
</P>
<P>
Mas &eacute; dif&iacute;cil se livrar deste desejo de &quot;rebobinar o tempo<SUP>4</SUP> de nossa 
vida&quot;, voltar ao passado sendo quem somos neste hoje, que era o futuro
do ontem. Queremos trilhar parte do velho caminho e, com o discernimento
de hoje, fazer escolhas diferentes em alguns pontos. O grande problema
&eacute; que isso n&atilde;o existe... e o grande alento &eacute; que isso n&atilde;o &eacute;, de todo,
necess&aacute;rio.
</P><P>
&Eacute; preciso perceber que o caminho adiante &eacute; quase sempre mais promissor 
do que o caminho que j&aacute; trilhamos, e isso n&atilde;o ocorre porque o caminho 
seja diferente<SUP>5</SUP>, mas porque n&oacute;s n&atilde;o seremos mais os mesmos.
</P><P>
Somos o que melhor poder&iacute;amos ser. Nosso caminho &eacute; parte de n&oacute;s e, como
tal, devemos valoriz&aacute;-lo. Isso n&atilde;o significa que devemos nos contentar
com o que nos tornamos, significa apenas que devemos aceitar o que somos
hoje como o lugar em que podemos estar.
</P><P>
E que ele &eacute; o melhor ponto de partida para onde quer que queiramos ir.
</P>

<DIV ID='sinlegend'>
<P>(1) Ou uma n&atilde;o-escolha, o que em si mesmo &eacute; uma escolha: a escolha por n&atilde;o escolher!</P>
<P>(2) As escolhas, pontualmente, ainda podem ser consideradas &quot;ruins&quot;, em especial aquelas que machucaram outras pessoas - n&atilde;o se pode esquecer deste aspecto; mas, em <STRONG>nossa</STRONG> vida ela pode ter sido o catalisador para que nos torn&aacute;ssemos pessoas melhores. N&atilde;o devemos carregar as ang&uacute;stias do passado, como se fossem mochilas, para o resto de nossas vidas, n&atilde;o podemos fazer delas nossas companheiras, nossos traumas.</P>
<P>(3) Algumas pessoas certamente ficam estagnadas, e precisam de ajuda para sair deste vale... mas ainda estou por conhecer algu&eacute;m que tenha, de fato, regredido. E, sinceramente, espero que nunca venha a conehcer.</P>
<P>(4) Vem da express&atilde;o j&aacute; quase perdida &quot;rebobinar a fita&quot;.</P>
<P>(5) Na minha experi&ecirc;ncia, vez ou outra a pr&oacute;pria vida se ocupa de fazer o rebobinamento parcial que tanto desejamos... nos dando a oportunidade de revisitar um caminho do passado. O resultado, ao menos para mim, foi bem diferente do que eu imaginava que seria... pois ao trilhar novamente um caminho, de posse de uma nova percep&ccedil;&atilde;o, vemos muitas outras coisas que antes n&atilde;o v&iacute;amos, o que acaba por mudar completamente nossas decis&otilde;es e julgamentos.</P>
</DIV>
]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Tue, 23 Feb 2010 11:57:52 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>Novo, por Dentro e por Fora</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=960</link>
            <description><![CDATA[<P>Bem, finalmente o novo sistema de blog est&aacute; no ar. Tem muita novidade em todo canto, al&eacute;m do visual. Todo o sistema de busca foi remodelado, assim como os renderizadores de posts. Alguns conte&uacute;dos, como o do Perfil, tamb&eacute;m mudaram bastante. Ah, e n&atilde;o d&aacute; pra esquecer o novo sistema de coment&aacute;rios! :)</P>
<P>Depois de quase 2 meses de trabalho, quase tudo &eacute; din&acirc;mico nesta vers&atilde;o do sistema; o lado negativo &eacute; que cerca de 60% do site precisa de JavaScript para funcionar (ao menos por enquanto).</P>
<P>&Eacute; bastante prov&aacute;vel que ainda existam bugs, me avisem, por favor. Sei que o Internet Explorer 7 tem problemas com o site, mas resolvi colocar no ar assim mesmo, e ir finalizando as pend&ecirc;ncias aos poucos... Caso contr&aacute;rio, ele ia acabar entrando no ar s&oacute; no ano que vem. :)</P>
<P>Espero que gostem das novidades.</P>
<P>--- Update! ---</P>
<P>Parece que consegui consertar o que n&atilde;o estava funcionando no Internet Explorer 7... :) </P>]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:11:26 -0300</pubDate>
        </item>
        <item>
            <title>As 24 Horas de Le Mans</title>
            <link>http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=959</link>
            <description><![CDATA[<IMG SRC='files/guara2010g1.png' border='0' vspace='5' hspace='5' align='left'>
<P>Uma das competi&ccedil;&otilde;es automobil&iacute;sticas mais antigas &eacute; a chamada &quot;24 Horas de Le Mans&quot;, em que um grupo de pilotos dividiam a dire&ccedil;&atilde;o, dirigindo por 24 horas consecutivas. Antigamente era comum que apenas dois pilotos cumprissem a fa&ccedil;anha, embora desde a d&eacute;cada de 1990 o n&uacute;mero m&iacute;nimo de pilotos seja tr&ecirc;s.</P>
<P>Quando eu era crian&ccedil;a ficava me questionando sobre a viabilidade daquilo, de uma ou duas pessoas dirigirem por 24 horas consecutivas... e se algum dia eu teria condi&ccedil;&otilde;es de fazer algo similar. N&atilde;o que fosse um desejo profundo, naquela &eacute;poca eu nem mesmo imaginava o que era dirigir. N&atilde;o passava, pois, de uma elocubra&ccedil;&atilde;o infantil.</P>
<P>Depois que passei a viajar dirigindo, descobri que adoro &quot;botar o carro na estrada&quot; e devorar quil&ocirc;metros e quil&ocirc;metros, seja para ir a algum lugar espec&iacute;fico, seja simplesmente para curtir as lindas paisagens - vez ou outra &uacute;nicas. Dirigir (na estrada!), para mim, &eacute; uma das muitas formas de higiene mental, pois passo horas e horas com foco apenas em duas coisas: a paisagem e a pista (claro, isso inclui os outros ve&iacute;culos!).</P>
<P>Nunca, por&eacute;m, havia dirigido mais do que 12 ou 13 horas em um mesmo dia<sup>1</sup>, mesmo na viagem para a Chapada Diamantina (ano passado), quando a dire&ccedil;&atilde;o era trocada a cada 6 horas, mais ou menos, e n&atilde;o pass&aacute;vamos mais que 12 horas dentro do carro em um mesmo dia. E, na verdade, n&atilde;o esperava quebrar essa marca, pois j&aacute; havia percebido que n&atilde;o era muito prudente faz&ecirc;-lo.</P>
<P>Foi nesse p&eacute; que, dias atr&aacute;s, resolvi ir para Guarapari com o Ludmilson (do <A HREF='http://mesa-42.blogspot.com/' TARGET='_new'>Mesa 42</A>), que tem casa por l&aacute;. Est&aacute;vamos combinando com alguns outros amigos, mas um n&atilde;o poderia ir porque se enrolou com dinheiro, outro n&atilde;o podia ir por causa de trabalho e outro porque n&atilde;o tinha com quem deixar os cachorros. J&aacute; estava decidido seguir apenas eu e o Lud, pela via tradicional, dirigindo cerca de 6 horas cada um, se necess&aacute;rio, e pronto. Ir&iacute;amos no s&aacute;bado pela manh&atilde;, chegar&iacute;amos s&aacute;bado pela noite e voltar&iacute;amos na quarta cedo, chegando de volta aqui em S&atilde;o Paulo na quarta pela noite.</P>
<P>Ocorre que no s&aacute;bado cedo eu e o Lud pensamos que n&atilde;o pod&iacute;amos resolver os problemas de todos os amigos, mas que, definitivamente, problema com grana n&atilde;o era &quot;desculpa&quot; para deixar de ir numa viagem dessas, que nem fica(ria) t&atilde;o cara assim e decidimos que ir&iacute;amos raptar o Spy (do <A HREF='http://www.insanityseeker.com/' TARGET='_new'>Insanity Seeker</A>), em Novo Horizonte (interior de S&atilde;o Paulo). Sab&iacute;amos que isso ia ser um enorme desvio, mas n&atilde;o paramos para fazer as contas de quanto, exatamente, seria.</P>
<IMG SRC='files/guara2010g2.png' border='0' vspace='5' hspace='5' align='right'>
<P>Assim, ao inv&eacute;s de pegar a Dutra para o caminho tradicional, via Volta Redonda ou via Juiz de Fora, pegamos a Bandeirantes... que nos imp&ocirc;s um atraso de hora e meia de congestionamento, mas tudo por um &oacute;timo motivo: sair um pouco de S&atilde;o Paulo! :)</P>
<P>Seguimos pela Washington Lu&iacute;s e, depois de uma 5 horas, l&aacute; est&aacute;vamos, na casa do Spy, que j&aacute; havia sido avisado para deixar a mala pronta, pois n&atilde;o aceitar&iacute;amos n&atilde;o como resposta. Nesse ponto j&aacute; passava das 16 horas e, ap&oacute;s um breve papo, partimos em dire&ccedil;&atilde;o a Belo Horizonte, por um caminho totalmente novo para todos n&oacute;s, passando por Ribeir&atilde;o Preto<SUP>2</SUP>, subindo para Passos e depois seguindo uma rodovia (MG-050) que vai direto de l&aacute; para Belo Horizonte. Em todo este trajeto, en que fui dirigindo, muitas boas surpresas, com lindas paisagens e uma incr&iacute;vel ilumina&ccedil;&atilde;o proporcionada pelo sol do fim da tarde.</P>
<P>J&aacute; anoitecendo, parei o carro para tirar algumas fotos na penumbra, e seguimos na noite, maravilhados com o c&eacute;u estrelado, l&iacute;mpido. Chegamos em BH quase 1:00 do domingo e paramos para comer. Foi um tanto complicado, mas achamos um lugar aberto a esta hora<SUP>3</SUP>: um &quot;espetinho&quot;, que aplacou a nossa fome sem dar sono. Sa&iacute;mos de l&aacute; por volta de 2:30 e seguimos para Guarapari, agora com o Lud no volante. Como n&atilde;o estava mais dirigindo, pude dedicar-me &agrave; paisagem noturna da regi&atilde;o, com um c&eacute;u estrelado lindo, permitindo visualizar claramente uma por&ccedil;&atilde;o de constela&ccedil;&otilde;es e a nuvem de estrelas que comp&otilde;em o restante da Via L&aacute;ctea.</P>
<P>Tirando que erramos um desvio e, quando percebemos, est&aacute;vamos de carro bem no meio do Carnaval em Ouro Preto<SUP>4</SUP>, a viagem seguiu sem maiores problemas, com mais uma ou duas trocas de motorista, j&aacute; que a fadiga come&ccedil;ou a tomar conta de todos e, enquanto um dirigia, o outro dava uma cochilada para aguentar mais um trecho<SUP>5</SUP>. Como pegamos o nascer do sol em uma das regi&otilde;es mais bonitas que conhe&ccedil;o, aproveitei para tirar um caminh&atilde;o de fotos. Chegamos em Guarapari apenas &agrave;s 11:00 do domingo.</P>
<P>N&atilde;o &iacute;amos perder o dia. Passamos no supermercado, compramos alguns v&iacute;veres e, depois que comemos, fomos dar uma volta, mostrar a regi&atilde;o para o Spy, que nunca tinha ido para l&aacute;. Tentamos - inutilmente - achar um lugar que vendesse cerveja e petiscos &agrave;s 16:00, mas o com&eacute;rcio local insistia que isso era s&oacute; depois das 18:00: antes era s&oacute; almo&ccedil;o. Sem muita op&ccedil;&atilde;o, voltamos para a casa e ficamos curtindo as novas instala&ccedil;&otilde;es do apartamento do Lud - leia-se: uma deliciosa rede na varanda - tomando cerveja em casa mesmo e comendo um churrasquinho delicioso. Como est&aacute;vamos literalmente destru&iacute;dos, n&atilde;o houve muito o que se fazer na noite deste primeiro dia. Acabamos dormindo cedo<SUP>6</SUP>.</P>
<P>O segundo dia foi mais proveitoso, embora n&atilde;o tenhamos conseguido fazer o passeio que quer&iacute;amos. Tirei um monte de fotos de coisas da cidade, em v&aacute;rias ilumina&ccedil;&otilde;es diferentes. De qualquer forma, a noite foi reservada para o boteco Pil&atilde;o, onde comi uma polenta frita empanada(?!?) bem diferente das que comemos por aqui. N&atilde;o tinha aipim (nome que usualmente se d&aacute; &agrave; mandioca por l&aacute;).</P>
<IMG SRC='files/guara2010g3.png' border='0' vspace='5' hspace='5' align='left'>
<P>No terceiro dia, j&aacute; na ter&ccedil;a-feira, conseguimos levar o Spy para a caminhaca cl&aacute;ssica na trilha das praias mais econdidas... que j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o mais t&atilde;o escondidas assim. Foi um pouco tiste ver que os calangos azuis n&atilde;o d&atilde;o mais as caras, que a trilha no meio do mato deu lugar a um caminho aberto, que a vegeta&ccedil;&atilde;o j&aacute; at&eacute; mudou um pouco e que mudaram o nome de uma por&ccedil;&atilde;o de coisas (!?), incluindo o Lago do Waldir, que agora se chama &quot;Lago do Sabi&aacute;&quot;. Mas existem as coisas que n&atilde;o mudaram: ainda h&aacute; lugares onde as pessoas n&atilde;o v&atilde;o, cuja vista &eacute; incr&iacute;vel e a paz... enorme. N&atilde;o se ouve nada, apenas o mar. N&atilde;o se v&ecirc; pessoas, apenas o azul do mar encontrando o azul do c&eacute;u... at&eacute; onde a vista alcan&ccedil;a. N&atilde;o sei at&eacute; quando esse lugar vai permanecer assim, mas fiquei feliz de, mais uma vez, poder desfrutar dele.</P>
<P>Neste dia, nem cerveja, nem dormir tarde: 21:00 significou cama, pois partir&iacute;amos &agrave;s 2:00 da quarta, o que de fato ocorreu. Sa&iacute;mos no hor&aacute;rio previsto, eu no volante, e seguimos noite adentro em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Belo Horizonte, onde paramos para que pud&eacute;ssemos renovar nosso estoque de Mate-Couro(7) e, como percebemos depois, isso seria fundamental para o sucesso do fim de nossa viagem. Sa&iacute;mos de BH &agrave;s 10:00, com 42 litros de Mate-Couro<SUP>8</SUP>, agora com o Lud no volante. A m&eacute;dia no primeiro trecho de viagem tinha sido muito boa, mas ainda havia muito ch&atilde;o pela frente, e em uma estrada mais movimentada.</P>
<P>Tudo ia muito bem, t&iacute;nhamos inclusive parado para tirar foto de uma ponte ferrovi&aacute;ria para um outro amigo que n&atilde;o estava l&aacute;<SUP>9</SUP>, mas no meio da estrada... <STRONG>POW!</STRONG> e eu acordo assustado do meu cochilo. O Lud encosta: um dos pneus de tr&aacute;s havia deformado, gasto mais em um pouto e estourou, com o a&ccedil;o todo para fora. L&aacute; fomos n&oacute;s, tirar tudo do porta-mala, montar tri&acirc;ngulo, tirar estepe...</P>
<P>Enquanto eu posicionava o macaco, o Spy tirava os parafusos da roda, ambos morrendo de medo, porque o carro mal cabia no acostamento e n&oacute;s est&aacute;vamos literalmente no meio da rodovia, que &eacute; de pista simples e, pra piorar, &eacute; um ponto de ultrapassagem. Com os parafusos frouxos, comecei a levantar o carro e, o Spy, a retirar completamente os parafusos... quando repentinamente o carro come&ccedil;ou a antar para tr&aacute;s.</P>
<P><EM>&quot;Orra Lud, voc&ecirc; n&atilde;o puxou o freio de m&atilde;o&quot;</EM>, esbravejei j&aacute; rindo.</P>
<P>Simultaneamente, enquanto verificava o freio de m&atilde;o, o Lud me avisava que tinha, sim, puxado o freio de m&atilde;o. Foi quando gelei. Na lateral do (pseudo) acostamento havia uma valeta enorme, e o carro tinha come&ccedil;ado a escorregar p ... [para ver o resto, v&aacute; at&eacute; a p&aacute;gina!]]]></description>
            <author>Daniel Caetano</author>
            <pubDate>Fri, 19 Feb 2010 02:48:13 -0300</pubDate>
        </item>
    </channel>
</rss>
